MENU
10 de junho de 2026

Um em cada cinco lares recebia benefício do Bolsa Família em 2023

O programa Bolsa Família atingiu recorde de beneficiários em 2023, com 19% dos lares brasileiros recebendo o auxílio. O programa contribuiu para o aumento da renda familiar e a redução da desigualdade social, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Fonte: Lyon Santos/ MDS

De todas as famílias brasileiras, 19% receberam o benefício do Bolsa Família em 2023, o que representa praticamente um em cada cinco domicílios. É a maior proporção já registrada e significa 14,7 milhões de lares. Os dados fazem parte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A série histórica do IBGE começa em 2012, quando a proporção de domicílios com algum beneficiário do programa Bolsa Família era 16,6%. Em 2019, último anos antes da eclosão da pandemia de covid-19, o indicador era 14,3%.

O levantamento aponta também que, em 2023, 4,2% dos domicílios tinham alguma pessoa que recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC, um salário mínimo por mês ao idoso com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade), e 1,4% recebia algum outro programa social.

Pandemia

O IBGE traça que com o agravamento da pandemia, que forçou a interrupção de atividades econômicas e aumento do desemprego, parte dos beneficiários passou a receber o Auxílio Emergencial, criado especialmente para mitigar efeitos econômicos e sociais da crise sanitária.

Com isso, a proporção de lares recebendo o Bolsa Família caiu pela metade, chegando a 7,2% em 2020. No entanto, cresceu a proporção de famílias que recebiam recursos de algum outro programa, como o Auxílio Emergencial. A proporção desses outros programas, que era de 0,7% em 2019, saltou para 23,7% em 2020.

Em 2021, as mudanças no Auxílio Emergencial ocorridas com a flexibilização das medidas sanitárias (redução do número de parcelas pagas e do valor médio) fizeram com que voltasse a aumentar o percentual de domicílios recebendo Bolsa Família (8,6%) e se reduzisse a proporção de outros programas sociais (15,4%).

No fim de 2021, o pagamento do Auxílio Emergencial foi interrompido, e o governo do então presidente Jair Bolsonaro substituiu o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil. Como esses dois programas não existiram ao mesmo tempo, ou seja, um substituiu o outro, a pesquisa do IBGE os considera com a mesma base de dados.

Em 2022, o Auxílio Brasil foi recebido por 16,9% das famílias brasileiras. O valor, que inicialmente era de R$ 400, foi reajustado ainda no ano em curso para R$ 600.

Em 2023, já no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa de transferência de renda voltou a ser chamado de Bolsa Família e, além de ter mantido o valor de R$ 600, adotou a inclusão de R$ 150 por criança de até 6 anos e o adicional de R$ 50 por criança ou adolescente (de 7 a 18 anos) e por gestante.

Norte e Nordeste

As regiões Norte e Nordeste têm a maior proporção de domicílios com ao menos um beneficiário do Bolsa Família. O Nordeste lidera com 35,5%. O Norte tem pouco menos de um terço, 31,7%. No outro extremo, o Sul e o Sudeste figuram com a menor proporção de lares, 7,9% e 11,5%, respectivamente.

Os estados com maior parte dos domicílios beneficiados são o Maranhão (40,2%), Piauí (39,8%), Paraíba (38,8%) e Pará (36,8%). Os últimos da lista são Santa Catarina (4,5%), Rio Grande do Sul (8,6%), Paraná (9,2%) e São Paulo (9,4%).

Redução da desigualdade

A pesquisa do IBGE apura informações sobre todas os rendimentos recebidos pela população, o que inclui relacionados ao trabalho, programas sociais, rendimentos financeiros, pensões e aposentadorias.

O levantamento mostra que, em 2023, o rendimento médio domiciliar por pessoa dos domicílios que recebiam o Bolsa Família equivalia a 28,5% do rendimento médio dos domicílios não beneficiados.

“Ou seja, o benefício é, de fato, focado nas famílias de menor renda”, aponta o analista da pesquisa do IBGE, Gustavo Geaquinto.

O estudo identifica ainda que, entre 2019 e 2023, o rendimento per capita do grupo de domicílios que recebia o Bolsa Família cresceu 42,4% (de R$ 446 para R$ 635), enquanto entre aqueles que não recebiam, a variação foi de 8,6% (de R$ 2.051 para R$ 2.227).

Essa evolução das rendas em velocidades distintas contribuiu para a redução da desigualdade de renda no Norte e no Nordeste. O Índice Gini – medidos de desigualdade que vai de 0 a 1, sendo quanto mais perto de 0, menor desigualdade – teve as maiores quedas nessas duas regiões.

Entre 2019 e 2023, o Gini do Norte recuou de 0,537 para 0,500. No Nordeste, a redução foi de 0,560 para 0,509, menor índice já registrado na região.

“São duas regiões que têm maiores proporções de domicílios beneficiários de programas sociais, sobretudo do Bolsa Família. Como houve aumento no valor do benefício, isso pode ter sido um fator que impactou”, aponta o analista do IBGE.

Ele acrescenta como um dos motivos o comportamento positivo da oferta de empregos. “A expansão do mercado de trabalho também pode ser contribuído. A Região Norte, por exemplo, teve expansão importante do mercado de trabalho”.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
Compartilhe a postagem:

Postagens relacionadas

A pecuária pelos pecuaristas: voz do campo na sustentabilidade

A Pecuária pelos Pecuaristas

A pecuária brasileira, símbolo de progresso, enfrenta desafios ambientais, mas mantém sua relevância social e econômica. O setor se transforma, adotando tecnologias e sistemas integrados para a sustentabilidade, com a produção tropical a pasto como diferencial. O artigo ressalta a importância de comunicar essa realidade e dar voz aos pecuaristas, reconhecendo-os como protagonistas nas discussões sobre desenvolvimento territorial e segurança alimentar, u…

Leia mais...
Chapa de deputado federal é definida com nomes do grupo de Mendes

Federação União Progressista define chapa de deputado federal com nomes do grupo de Mendes

A Federação União Progressista (União Brasil e PP) definiu a composição da chapa de deputado federal. A lista inclui nomes da cúpula de confiança do ex-governador Mauro Mendes e do governador Otaviano Pivetta. Lideram a chapa a ex-primeira-dama Virginia Mendes, o deputado federal Fábio Garcia e a suplente de federal Gisela Simona, todos do União Brasil. Dois ex-deputados federais, Victório Galli e Nilson Leitão, ambos do PP, também compõem.

Leia mais...
Lei do Auxílio-Alimentação: Câmara de Cáceres propõe revogação

Presidente da Câmara e Mesa Diretora propõe revogação da Lei do Auxílio-Alimentação

O presidente da Câmara de Cáceres, vereador Flávio Negação (MDB), e a Mesa Diretora, propõem a revogação da Lei do Auxílio-Alimentação aos agentes políticos, no valor de R$ 1.700. A proposta será apresentada na próxima segunda-feira, 08 de junho. A medida, já sancionada pelo Executivo, visa atender à manifestação popular e reforçar o compromisso com o diálogo e a transparência. Flávio Negação ressaltou a importância da escuta pública no processo político-administrativo, demonstrando sensibilidade às demandas da sociedade cacerense.

Leia mais...
Sessão da Câmara de Cáceres: projetos para idosos e crianças

Sessão da Câmara de Cáceres em pauta: projetos para idosos e proteção de crianças

A sessão da Câmara de Cáceres, marcada para segunda-feira (08/06), às 8h, incluirá a leitura de novos projetos de lei. Entre eles, o PL nº 20/2026 institui o programa ‘Viva a Melhor Idade’ para a valorização da pessoa idosa. O PL nº 21/2026 cria o ‘Escola que Protege’, visando treinar profissionais da educação para identificar sinais de abuso contra crianças e pré-adolescentes. Dezenas de indicações e requerimentos, como recapeamento asfáltico e plantão 24 horas na Delegacia da Mulher, também serão apresentados ao Executivo municipal.

Leia mais...
Cáceres na FIT Pantanal 2026: município destaca potencial turístico

Cáceres participa da FIT Pantanal 2026 e destaca potencial turístico

O município de Cáceres participa da FIT Pantanal – Feira Internacional de Turismo do Pantanal, edição 2026, que teve início em 03 de maio, em Cuiabá. Com um estande temático, Cáceres destaca sua identidade, cultura, tradição e belezas naturais. O espaço valoriza a biodiversidade pantaneira, o artesanato local e a hospitalidade, além de promover o Festival Internacional de Pesca Esportiva (FIPe), que chega à sua 43ª edição e será realizado de 03 a 05 de …

Leia mais...
plugins premium WordPress