MENU
21 de setembro de 2026

Lavoura, maquinário, animais: chuvas no RS prejudicam agropecuária

As chuvas no Rio Grande do Sul provocaram severos danos ao agronegócio, com perdas em lavouras, animais e infraestrutura. A produção de arroz, soja, milho e outros produtos foi impactada, afetando o abastecimento e gerando prejuízos milionários. O governo anunciou medidas para auxiliar o setor na recuperação.
Fonte: REUTERS/Amanda Perobelli

As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul também afetaram a produção agropecuária. Mortes de animais, perda de lavouras e estragos à semeadura de pastagens de inverno são alguns dos danos provocados ao agronegócio do estado.

Antes das chuvas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimava que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do Rio Grande do Sul cresceria 46,4% neste ano, em relação ao ano anterior, e passaria a responder por 13,3% do total nacional, encostando no Paraná.

O Rio Grande do Sul responde, por exemplo, por 70% da produção nacional do arroz. Em relação à soja, a lavoura do estado representou 8,4% do país em 2023 e, com o crescimento esperado para este ano, passaria a representar 14,8%, ficando atrás apenas de Mato Grosso.

O estado também se destaca na pecuária. Em 2023, ocupou a terceira colocação entre aqueles que mais abateram frangos e suínos. Foi também o quarto maior produtor de ovos e o quinto entre os produtores de leite.

Ainda não há um quadro completo do prejuízo e, portanto, quanto isso afetará a estimativa feita anteriormente pelo IBGE. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, disse que os impactos foram diferentes em cada região.

No litoral, por exemplo, houve grande perda de lavouras de soja e alagamento de silos de arroz. “O litoral foi seriamente impactado na cultura da soja, que ficou embaixo d’água. Isso é perda total. Mas já pegou bastante adiantada a colheita do arroz, acima dos 70%, 80%, o que colocou o arroz a salvo, a não ser por algum silo que ficou com 1 metro de água em sua base”, afirmou.

Outra área com muitas perdas foi a região central do estado. “Nos municípios da chamada Quarta Colônia – Santa Maria, Lajeado – a enchente levou praticamente tudo dos produtores. Não só a possível colheita, como também o maquinário e animais”.

No norte do estado, o principal impacto para o agronegócio foram os danos à infraestrutura, que causam problemas no escoamento de produtos derivados de frango, suínos e bovinos e também na chegada de ração para esses animais.

A essa altura do campeonato, nessa região a água já baixou, mas [o setor] está paralisado. Alguns criatórios estão isolados, ainda sem a possibilidade de a ração chegar até eles. Os produtores de leite não conseguem chegar à indústria, às vezes essa indústria está submersa”, ressaltou.

O diretor técnico da Empresa de Extensão Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-RS), Claudinei Baldissera, afirmou que o setor agropecuário gaúcho foi severamente afetado. O impacto só não foi maior porque, segundo ele, 76% da soja e 83% do milho plantados no estado já tinham sido colhidos.

“A área cultivada de soja foi de 6,68 milhões de hectares, então isso significa dizer que ainda temos 1,6 milhão de hectares para serem colhidos. Provavelmente muitas lavouras nem serão colhidas. E a qualidade do grão daquelas lavouras que será possível colher certamente será muito baixa, com valor comercial prejudicado”, explica.

O período de semeadura de grãos de inverno, como o trigo e a aveia, produtos que têm o Rio Grande do Sul como um dos maiores produtores nacionais, ainda não começou, portanto não é possível saber se haverá impacto ou não nessas lavouras.

Segundo Baldissera, pelo menos o plantio de pastagens de inverno (que servem de alimento para o gado) foi prejudicado, uma vez que as sementes já estavam em período de germinação.

“Acredito que ainda há tempo [para a semeadura]. Estamos perfeitamente dentro da janela de plantio, que acontece em junho, julho. Inclusive, este poderá ser um ano interessante para a lavoura de trigo e outros cereais de inverno. Mas, claro, houve, sim, algum estrago laminar [do solo], uma erosão e uma voçoroca que apareceu”, explicou Pereira.

Apesar do peso do Rio Grande do Sul na agropecuária nacional, nem Pereira nem Baldissera acreditam que haverá grandes impactos no abastecimento de produtos alimentícios para o resto do país. “Pelo tamanho do agro no Brasil, pelo tanto que se cultiva, não acredito que haverá impacto severo [no abastecimento]”, afirmou.

Pereira advertiu, no entanto, que pode haver algum impacto no fornecimento de arroz e, em um curto prazo, da carne de frango.

“De qualquer maneira, temos estoque suficiente [de arroz] para chegarmos à próxima safra”, disse o presidente da Farsul. “Pode ter algum impacto na avicultura. A indústria do frango ficou um pouco abalada, esperamos que de forma temporária. Aí pode ter sim algum tipo de abalo, no curto prazo, porque acreditamos que isso possa ser rapidamente restabelecido, uma vez que é uma indústria muito ágil”.

Leia também: Brasil vai importar arroz para evitar especulação de preços

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se reuniu nessa terça-feira, por videoconferência, com 111 sindicatos rurais e com a Farsul. A Federação gaúcha apresentou algumas demandas para ajudar o setor agropecuário do estado a lidar com os estragos.

Entre as reivindicações da Farsul estão a prorrogação das parcelas de custeio, investimento e comercialização, além de crédito para a reconstrução da estrutura produtiva e para permitir redução da alavancagem com credores, com juros mais baixos e de forma simplificada.

O Ministério da Agricultura, por sua vez, anunciou que importará até 1 milhão de toneladas de arroz para abastecer pequenos mercados, em periferias das cidades e nas regiões Norte e Nordeste, a fim de evitar aumentos de preços resultantes de problemas no escoamento e perdas nas produções do cereal.

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
Compartilhe a postagem:

Postagens relacionadas

Roubo a mineradora: Polícia Militar prende quatro homens em Livramento

Polícia Militar prende quatro homens por roubo a mineradora em Nossa Senhora do Livramento

A Polícia Militar de Mato Grosso prendeu quatro homens envolvidos em um assalto a uma mineradora, na noite de domingo (20.9), em Nossa Senhora do Livramento. Os suspeitos foram localizados em Várzea Grande após denúncia anônima. Com a quadrilha, foram apreendidas armas de fogo, simulacros, munições e outros itens. A vítima reconheceu os criminosos e afirmou que o objetivo era roubar ouro, sem sucesso.

Leia mais...
Demissão de Eduardo Bolsonaro: Ministério da Justiça o demite por abandono

Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo na PF

O Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo. A decisão, publicada na edição desta segunda-feira (21) do Diário Oficial da União, baseou-se em processo administrativo disciplinar que concluiu por faltas injustificadas por mais de 30 dias consecutivos. A demissão teve como fundamento a Lei nº 15.047, de 2024.

Leia mais...
Mato Grosso no ranking: estado é 16º em eficiência orçamentária

Mato Grosso é 16º em ranking de eficiência orçamentária

Mato Grosso apresenta baixa capacidade de converter sua expressiva arrecadação pública em serviços de qualidade para a população. É o que revela a segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F), elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha. O estudo posiciona Mato Grosso no 16º lugar nacional, com pontuação de 0,368, na faixa de ‘alguma eficiência’.

Leia mais...
Homem ferido em capotamento: Vítima é resgatada na BR-174

Homem fica ferido após capotar veículo na BR-174 em Pontes e Lacerda

Um homem ficou ferido após capotar o veículo na madrugada de domingo (20), na BR-174, em Pontes e Lacerda (MT). O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 1h30. A vítima foi encontrada presa sob o pneu traseiro do carro, consciente, relatando dores na perna esquerda e tórax. Ele perdeu o controle do veículo. Bombeiros usaram equipamento desencarcerador para a retirada, com calços e bases.

Leia mais...
Eleitores de religiões afro se sentem invisíveis em campanha

Eleitores de religiões afro se sentem invisíveis em campanha eleitoral

Eleitores de religiões de matriz africana e afro-brasileira não se sentem representados nas campanhas políticas de 2026, avaliam praticantes, religiosos e estudiosos. O número de adeptos triplicou entre 2010 e 2022, alcançando 1,8 milhão de pessoas, conforme o IBGE. Ao contrário dos eleitores cristãos, o segmento afro é negligenciado na corrida eleitoral.

Leia mais...
Adesão à subvenção: Petrobras aprova medida para óleo diesel

Petrobras aprova adesão à subvenção ao óleo diesel

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a adesão à subvenção econômica para produtores e importadores de óleo diesel. Instituída pela Medida Provisória 1.391, a medida garante à empresa R$ 1 por litro de óleo diesel “A” por 30 dias, prorrogáveis, a ser transformado em desconto para revendedoras. A Petrobras também aumentou em R$ 1 o preço do combustível, mantendo o preço final com a subvenção.

Leia mais...
plugins premium WordPress