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7 de novembro de 2026

Mais Médicos cubanos: programa atende 66 milhões e gera polêmica com EUA.

Programa Mais Médicos, criado em 2013, atendeu mais de 66 milhões de brasileiros. Após críticas dos EUA, entenda a participação de médicos cubanos.
Brasília (DF), 17/03/2025 - Detalhe do uniforma de um médico durante anúncio do ministro da Saúde Alexandre Padilha sobre a expansão do programa mais médicos com a oferta de novas vagas no primeiro edital de 2025. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 17/03/2025 - Detalhe do uniforma de um médico durante anúncio do ministro da Saúde Alexandre Padilha sobre a expansão do programa mais médicos com a oferta de novas vagas no primeiro edital de 2025. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais Médicos cubanos, alvo de críticas recentes por parte dos Estados Unidos, continua a ser um programa de saúde pública de grande impacto no Brasil, atendendo a milhões de brasileiros em mais de quatro mil municípios desde sua criação em 2013. O programa, que visa suprir a carência de profissionais de saúde em áreas vulneráveis, tem registrado alta avaliação popular e desempenhado um papel crucial na expansão do acesso à atenção básica.

O programa Mais Médicos, desde o seu início, contou com a participação fundamental de médicos cubanos, que chegaram a representar a maior parte dos profissionais atuantes. Atualmente, embora sua participação tenha diminuído, eles ainda representam uma parcela significativa, cerca de 10%, dos mais de 26 mil médicos que integram o programa. A colaboração com Cuba, país reconhecido internacionalmente por seus avanços na saúde pública, foi essencial para o sucesso inicial do programa.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes, destacou a importância da colaboração cubana, especialmente nos primeiros anos do programa. Segundo ele, o Mais Médicos contribuiu para a redução do déficit de acesso à atenção primária em diversos municípios brasileiros, melhorando a relação médico-paciente e diminuindo o abandono de tratamentos, especialmente de doenças negligenciadas. Além disso, o programa impactou positivamente na redução de hospitalizações por causas evitáveis nas áreas onde os médicos atuavam.

Impacto na Cobertura de Saúde

A implementação do programa Mais Médicos resultou em um aumento significativo na cobertura de atenção básica de saúde no Brasil. Apenas no primeiro ano, a cobertura saltou de 10,8% para 24,6% da população, um avanço considerável, considerando que a atenção básica concentra cerca de 80% dos problemas de saúde da população.

Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a revogação dos vistos de funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), alegando envolvimento em um “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano” por meio do programa Mais Médicos. Rômulo Paes, da Abrasco, avaliou que a ação dos EUA tem motivações políticas e não está relacionada à saúde pública. Ele ressaltou que Cuba mantém programas de cooperação semelhantes com diversos países, incluindo Ucrânia, Rússia, Portugal e Espanha, sem que isso gere sanções por parte dos Estados Unidos.

Contexto Internacional e o Cerco a Cuba

A participação de médicos cubanos no programa, por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), tem sido alvo de críticas por parte do governo dos Estados Unidos, que impõe um embargo econômico a Cuba há mais de 60 anos. O objetivo do bloqueio é pressionar por mudanças no regime político da ilha.

A exportação de serviços médicos é uma importante fonte de receita para Cuba, permitindo ao país enfrentar os desafios impostos pelo bloqueio econômico. Nesse contexto, o governo dos Estados Unidos tem buscado constranger os países que mantêm acordos de cooperação médica com Cuba.

A Avaliação do Programa Mais Médicos

O programa Mais Médicos tem sido amplamente avaliado de forma positiva pela população brasileira. Pesquisas indicam que a maioria dos pacientes atendidos é de baixa renda e demonstra alta satisfação com o programa. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) revelou que 95% dos entrevistados estavam satisfeitos com o programa, atribuindo uma nota média de 8,4 em uma escala de 0 a 10.

Estudos da OPAS também destacam a importância da atuação dos médicos cubanos, ressaltando a relação médico-usuário humanizada, caracterizada pela escuta, atenção e diálogo. Usuários relataram a presença constante de médicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o que representou uma melhoria em relação à situação anterior ao programa. A diminuição do tempo de espera para consultas também foi um resultado importante.

Atualmente, o programa Mais Médicos continua em operação, com um número expressivo de profissionais brasileiros, buscando garantir o acesso à saúde em todo o território nacional. Embora a participação de médicos cubanos tenha diminuído, sua contribuição inicial foi fundamental para o sucesso do programa e para a expansão do acesso à atenção básica no Brasil.

Fonte Agencia Brasil

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