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7 de novembro de 2026

COP30: Vice da Colômbia critica ONU por racismo em decisões climáticas

Na COP30, vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, critica a ONU, alegando racismo na abordagem de questões ambientais e exclusão de povos negros e indígenas.
Belém (PA), 13/11/2025 - Vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participam do painel Racismo Ambielntal e Mudanças Climáticas, na Zona Azul da COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Belém (PA), 13/11/2025 - Vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participam do painel Racismo Ambielntal e Mudanças Climáticas, na Zona Azul da COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Racismo ambiental ONU foi o tema central da declaração da vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, durante a COP30 em Belém, na qual criticou a falta de reconhecimento da ONU em relação ao valor político e cultural das populações negras e indígenas nas decisões climáticas. Márquez participou de um encontro na Zona Azul, promovido pela presidência da COP30, para discutir o conceito de racismo ambiental e seus impactos desproporcionais sobre grupos historicamente marginalizados.

Críticas da Vice-Presidente da Colômbia à ONU

Francia Márquez foi enfática em sua crítica à Organização das Nações Unidas, afirmando que a instituição demonstra traços de racismo sistêmico. Ela relembrou um episódio na COP16, onde, juntamente com o Brasil, tentou incluir formalmente a categoria de povos afrodescendentes, mas a proposta foi rejeitada sob o argumento de que esses povos não possuíam uma “linguagem contributiva”. Márquez rebateu essa alegação, enfatizando a resistência, cultura e contribuições dos povos afrodescendentes para a conservação do meio ambiente. A vice-presidente detalhou como as comunidades afrodescendentes e indígenas na Colômbia sentem os efeitos da emergência climática, reforçando que essa situação é fruto de um racismo estrutural.

Racismo Ambiental: Colonialismo e Escravidão

Para Francia Márquez, o racismo ambiental está intrinsecamente ligado ao colonialismo e à escravidão, que estabeleceram as bases para um modelo econômico que explora os recursos naturais de forma predatória e marginaliza certos grupos populacionais. “O colonialismo e a escravidão serviram a estruturas que sustentaram um modelo econômico que hoje esgota a vida no planeta, que expropriam a condição humana de certos povos e que os colocam em condição de inferioridade”, declarou a vice-presidente. Ela ressaltou a importância de abordar as questões climáticas de forma holística, reconhecendo a interconexão entre o meio ambiente e as vulnerabilidades enfrentadas pelas populações racializadas, historicamente sujeitas a violências estruturais.

Anielle Franco e a Realidade Brasileira do Racismo Ambiental

A ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco, também participou do evento e corroborou as declarações de Francia Márquez. Anielle compartilhou experiências pessoais de sua infância no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para ilustrar como as comunidades pobres e racializadas são particularmente suscetíveis aos impactos climáticos. Ela citou exemplos como o aumento do calor e o transbordamento de esgoto, que impediam as crianças de brincar nas ruas. Anielle destacou ainda a disparidade climática entre a Baixada Fluminense e a Zona Sul do Rio de Janeiro, onde a falta de arborização agrava o calor, evidenciando mais uma faceta do racismo ambiental.

Ações do Governo Brasileiro na COP30

Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, afirmou que o governo federal está priorizando o tema do racismo ambiental e implementando medidas para uma transição justa, buscando dar maior protagonismo aos povos tradicionais na COP30. “A cada grande tragédia de fogo, de fome, de seca, de sede, de inundação, percebemos o quanto o racismo ambiental está atingindo de forma brutal as populações mais vulneráveis. Esta COP vai pautar esses problemas”, disse a ministra. Segundo Guajajara, o governo está garantindo a ampla participação social e a maior participação indígena da história das COPs, com a apresentação de documentos e propostas de ação sobre o racismo ambiental. A ministra enfatizou o compromisso do governo em continuar trabalhando nessa agenda.

Fonte Agencia Brasil

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