O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, não poupou críticas à gestão financeira de diversos clubes brasileiros, classificando a situação de inadimplência como ‘estelionato esportivo’. Em uma entrevista contundente à ESPN nesta quarta-feira, o dirigente mato-grossense defendeu a aplicação de punições mais severas, como a perda de pontos, para equipes que falham em cumprir seus compromissos financeiros. A declaração vem à tona em um momento delicado para o Dourado, que acumula mais de R$ 40 milhões a receber de outros clubes, impactando diretamente seu planejamento e desempenho na Série B do Campeonato Brasileiro.
A Polêmica Declaração e a Cobrança por Rigor
Dresch foi direto ao citar Santos e Vasco como exemplos de clubes que, apesar de grandes dívidas, conseguem se manter na elite do futebol. Ele argumenta que o atual sistema, com o ‘transfer ban’ se mostrando insuficiente, permite que essas equipes se beneficiem de uma ‘fraude esportiva’.
‘Esse problema existe porque nós vivemos em um mercado que não tem nenhum tipo de regulação e não tem punição. Hoje o transfer ban está se mostrando insuficiente, a gente precisa que tenha perda de ponto. Acho que se o Corinthians tivesse ameaçado de perder três pontos na tabela esse dinheiro já tinha saído de algum lugar. O Santos da mesma forma, a gente vê o Santos, o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair’, afirmou o presidente.
O Caso Santos e a Dívida por Joaquim
A fala de Dresch ganha ainda mais peso um dia após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenar o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá. Essa dívida tem origem na negociação do zagueiro Joaquim, em fevereiro de 2023, e inclui a participação do Dourado na posterior venda do jogador ao Tigres, do México. O Cuiabá revelou que a última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025 e, mesmo após uma renegociação onde o clube mato-grossense abriu mão de parte do valor, o Santos teria quitado apenas a primeira de cinco novas parcelas. O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025, e a decisão foi divulgada recentemente. O Santos ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA), mas o Cuiabá cobra agilidade e respeito aos acordos. Em nota, o Santos afirmou que a ‘exposição pública do caso não contribui para a sua solução’ e reafirmou ‘compromisso com o cumprimento de suas obrigações financeiras’.
Outros Gigantes na Lista de Devedores
O problema da inadimplência não se restringe ao Santos. O Cuiabá divulgou um levantamento que aponta mais de R$ 40 milhões a receber de diversas equipes. O Corinthians, por exemplo, tem uma dívida relacionada à negociação do volante Raniele, com uma parcela vencida em julho que segue em aberto. O Sport deve cerca de R$ 6 milhões pela contratação do lateral-direito Matheus Alexandre. Já o Grêmio tem uma disputa envolvendo aproximadamente R$ 900 mil, valor cuja inclusão em um plano de pagamento coletivo ainda aguarda julgamento. Dresch questiona a lógica de clubes endividados continuarem contratando reforços caros, como o Santos fez com Arthur e Cebolinha, enquanto equipes menores e adimplentes sofrem.
‘Como que um clube que está devendo R$ 18 milhões para o Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões, como o Santos contratou o Arthur, o Cebolinha, que vão fazer a diferença dentro de uma tabela de classificação. [O Santos] Foi lá em Belém e ganhou do Remo, vai ficar na Série A. Como funciona isso? Como o Mirassol vê todo mundo contratando, gastando, e ele pagando em dia, fazendo sacrifício, e o Vasco que entrou com uma recuperação judicial deu um cano gigantesco, o Botafogo da mesma forma, permanecendo na Série A? Isso é injusto’, desabafou Dresch.
A Luta do Cuiabá e o Impacto Financeiro
Atualmente na Série B, o Cuiabá busca o retorno à elite do futebol brasileiro, ocupando a décima posição, com quatro pontos a menos que o grupo dos seis primeiros colocados, que garante vaga no playoff. O clube mato-grossense enfatiza que o volume de valores a receber de outras equipes compromete seu fluxo de caixa, mas ressalta que a situação não decorre de problemas de gestão interna, e sim do descumprimento de contratos por parte de outros clubes. O Dourado defende a execução mais rápida das decisões dos órgãos reguladores e garante que continuará cobrando os valores devidos por todos os meios legais e esportivos disponíveis, em busca de um ambiente mais justo e equilibrado para o futebol nacional.








