O Ministério Público de São Paulo (MPSP) emitiu uma recomendação formal à prefeitura da capital paulista para que seja realizada a intervenção na administração da Feira da Madrugada do Brás. Este importante centro comercial, concedido à empresa Circuito de Compras, é um ponto de encontro para milhares de pequenos comerciantes que oferecem produtos populares, roupas e eletrônicos, registrando um fluxo diário de aproximadamente 15 mil pessoas. A medida proposta pelo MPSP visa solucionar uma série de irregularidades e uma dívida substancial que, segundo o órgão, inviabiliza a continuidade da gestão atual da feira.
Recomendação de Intervenção e Dívida Milionária
De acordo com as apurações do Ministério Público, a empresa Circuito de Compras, responsável pela concessão da Feira da Madrugada do Brás, cometeu diversas irregularidades ao longo de sua gestão. Além disso, a concessionária acumulou uma dívida expressiva que atinge o montante de R$ 163 milhões. Este cenário financeiro e administrativo, conforme o MPSP, torna a continuidade da gestão da empresa insustentável e prejudicial ao interesse público. Diante dessas constatações, o Ministério Público solicitou que a prefeitura de São Paulo, em conjunto com a agência reguladora SP Regula, decrete a intervenção na concessão em um prazo de 15 dias. O pedido inclui também a adoção de ‘providências destinadas a preservar o interesse público na execução do contrato’, garantindo a funcionalidade e a finalidade social do empreendimento.
Detalhes da Investigação e Impacto Social
A recomendação do MPSP é parte integrante de um inquérito civil que tem acompanhado de perto a execução do ajuste firmado entre o município e a concessionária. Este contrato prevê a implantação, operação, manutenção e exploração econômica do espaço da feira. Durante a investigação, o Ministério Público constatou uma série de pendências relacionadas aos investimentos que estavam previstos no contrato de concessão. Adicionalmente, foram registrados problemas operacionais e uma elevada ociosidade do espaço, indicando que o potencial da feira não está sendo plenamente aproveitado sob a gestão atual. A Promotoria também levou em consideração os relatos de comerciantes e representantes do setor que foram ouvidos ao longo da investigação. Esses depoimentos apontaram para um aumento significativo dos custos de ocupação dos boxes, o que, por sua vez, resultou na redução da atratividade econômica do empreendimento para os pequenos lojistas. Outro ponto crítico levantado foi a permanência de milhares de comerciantes exercendo suas atividades em vias públicas nas regiões do Brás e do Pari, uma situação que, em tese, frustra a finalidade pública original que motivou a concessão da feira, que era justamente organizar e formalizar esses trabalhadores.
Contexto Político e Posicionamento da Concessionária
A situação da Feira da Madrugada do Brás não é novidade no cenário político local. Recentemente, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalada na Câmara Municipal para investigar denúncias graves. Entre as acusações apuradas estavam casos de extorsão de camelôs, a venda de produtos falsificados e a receptação de mercadorias ilícitas dentro do complexo. Na ocasião da CPI, parlamentares da base governista já haviam solicitado a revisão da concessão, uma posição que também é defendida pela atual gestão do prefeito Ricardo Nunes. Em busca de um posicionamento oficial, a concessionária Circuito de Compras foi procurada pela reportagem. No entanto, até o momento da publicação desta matéria, a empresa não se manifestou sobre as recomendações do MPSP ou sobre as acusações levantadas. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação futura por parte da concessionária, a fim de apresentar sua versão dos fatos.








