A influência de Mauro Mendes (União Brasil) foi amplamente consolidada nas urnas deste domingo (4), resultando em uma expressiva vitória de seu grupo político. O ex-governador garantiu uma das duas vagas disponíveis ao Senado, enquanto seu sucessor, Otaviano Pivetta (Republicanos), obteve a reeleição para o cargo de governador já no primeiro turno, confirmando a força da chapa.
Este resultado eleitoral assegura a continuidade do projeto político iniciado por Mendes em 2019 no Palácio Paiaguás, mantendo seu grupo no comando do Estado por mais um ciclo. Além das vitórias nas disputas majoritárias, a expressiva força do ex-governador também se manifestou de forma clara na disputa proporcional, evidenciando a capilaridade de sua base.
Dois nomes diretamente alinhados a Mendes, ambos filiados ao União Brasil, obtiveram sucesso significativo: o deputado federal Fábio Garcia e Virginia Mendes, sua esposa, conquistaram espaço na Câmara Federal. Essas conquistas individuais não apenas representam vitórias pessoais, mas também ampliam substancialmente a presença do grupo político em Brasília, conferindo a Mendes uma base política própria e fortalecida para o seu novo mandato no Senado.
O saldo eleitoral coloca Mendes em uma posição de grande influência no novo desenho político de Mato Grosso.
A dimensão política do resultado das urnas, contudo, transcende a eleição de seus aliados, abrangendo de forma significativa as derrotas de adversários que, nos últimos anos, protagonizaram intensas disputas internas e embates diretos com a liderança de Mendes, reconfigurando o cenário estadual.
Janaina Riva (MDB), que buscou uma vaga no Senado Federal, não foi eleita, ficando de fora da disputa e perdendo a vaga para José Medeiros (PL). A derrota de Janaina possui um peso particular neste tabuleiro político, visto que a deputada construiu, ao longo dos últimos anos, uma posição de independência em relação ao Palácio Paiaguás e se transformou em uma das principais lideranças estaduais fora da órbita de influência de Mauro Mendes. Sua decisão de deixar a Assembleia para disputar o Senado e a subsequente derrota nas urnas interrompem, ao menos momentaneamente, sua presença em cargos eletivos e, consequentemente, reduzem um importante polo de contraponto ao grupo governista.
Reconfiguração política: a queda da família Campos e a influência de Mauro Mendes
Outro efeito relevante e impactante das urnas incidiu sobre a tradicional família Campos, historicamente reconhecida como uma das estruturas políticas mais influentes de Mato Grosso. Jayme Campos (União Brasil) acabou fora da disputa majoritária para o Governo, depois de perder, dentro do próprio União Brasil, a batalha pela candidatura. Adicionalmente, Júlio Campos não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa, marcando uma significativa alteração no panorama.
A eleição, portanto, não apenas definiu novos representantes, mas também alterou profundamente a correlação de forças dentro do próprio campo político que, durante décadas, teve os irmãos Campos como protagonistas centrais. A derrota de Jayme na convenção partidária que confirmou o apoio do União Brasil a Otaviano Pivetta já havia evidenciado, de forma explícita, essa mudança interna e a ascensão de novas lideranças.
O saldo eleitoral final posiciona Mendes em uma situação de grande influência de Mauro Mendes no novo desenho político de Mato Grosso: ele conquistou um mandato de oito anos no Senado, viu Otaviano Pivetta permanecer no Palácio Paiaguás e aliados próximos avançarem para Brasília, enquanto adversários tradicionais perderam espaço institucional e relevância. Mais do que uma vitória pessoal nas urnas, a eleição de 2026 redesenhou as forças políticas ao redor de um grupo que chega ao próximo ciclo com presença simultânea e fortalecida no Governo do Estado, no Senado Federal e na Câmara Federal.








