Os programas de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o período de 2027 a 2030 apresentam a logística em Mato Grosso, o agronegócio e a infraestrutura como temas de impacto direto no estado. Ambos partem de abordagens distintas para a produção rural, o transporte de cargas e a preservação ambiental. A principal diferença textual em relação ao estado reside na logística em Mato Grosso, onde o programa de Flávio Bolsonaro menciona a Ferrogrão e uma ligação ferroviária com o Sul do país.
Programas de Governo e o Agronegócio
O documento de Lula define o agronegócio como fundamental para a balança comercial e o Produto Interno Bruto (PIB). A proposta petista combina aumento da produtividade com sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e agregação de valor às exportações. O plano prevê a ampliação do Plano Safra, a manutenção de juros compatíveis com a atividade agropecuária e a priorização de financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias. Também propõe a ampliação das fontes de financiamento por meio do mercado de capitais e dos títulos do agronegócio.
A política para o campo no programa de Lula incorpora medidas de adaptação às mudanças climáticas, prevendo um plano nacional de resiliência climática. Este inclui a expansão da irrigação, conservação do solo, agricultura de precisão, plantio direto e sistemas de alerta meteorológico. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o seguro rural e mecanismos para cobertura de perdas por eventos climáticos extremos estão entre as medidas propostas. O texto ainda dedica espaço à pecuária sustentável, com recuperação de pastagens degradadas, melhoria genética dos rebanhos, rastreabilidade e tecnologias para redução de emissões. Prevê também investimentos em pesquisa, biotecnologia, conectividade rural e fortalecimento da Embrapa.
O programa de Flávio Bolsonaro também apresenta o agronegócio como setor estratégico, inserindo-o no eixo ‘Brasil que Cresce’, ao lado de infraestrutura, energia, tecnologia e inserção internacional. O documento afirma que o agro é responsável pela segurança alimentar e defende maior previsibilidade para o produtor. Entre as medidas estão a ampliação do Seguro Rural, instrumentos de securitização e reorganização das dívidas, aumento da capacidade de armazenagem e ações diplomáticas para enfrentar eventuais sanções comerciais. O plano do candidato do PL prevê a retomada da produção nacional de fertilizantes, regularização fundiária, expansão da irrigação e simplificação de procedimentos para obtenção de licenças. A propriedade rural e a segurança jurídica são elementos centrais da política para o campo.
Investimentos em Logística em Mato Grosso
O programa de Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. O texto propõe a criação dos Corredores Logísticos Inteligentes, com o objetivo de reduzir o custo do transporte e melhorar o escoamento da produção do Centro-Oeste, impactando diretamente a logística em Mato Grosso. No programa de Lula, a infraestrutura é tratada dentro de uma estratégia nacional de longo prazo, com investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A proposta está associada à continuidade do Novo PAC e ao planejamento integrado da infraestrutura, elementos cruciais para a logística em Mato Grosso. O governo federal também apresentou em 2026 o Plano Nacional de Logística 2050, que estabelece corredores estratégicos e diretrizes de longo prazo para o transporte de cargas e passageiros. Para o agronegócio mato-grossense, os documentos apresentam instrumentos semelhantes em áreas como crédito, armazenagem, tecnologia, irrigação e infraestrutura, mas com projetos e mecanismos diferentes na logística em Mato Grosso.
Abordagens para o Meio Ambiente e o Pantanal
Nenhum dos documentos analisados apresenta um capítulo exclusivo dedicado ao Pantanal ou um pacote detalhado de obras e políticas exclusivamente voltado ao bioma. As propostas aparecem associadas a políticas ambientais, climáticas, de combate ao desmatamento, prevenção de incêndios, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento sustentável. No programa de Lula, a agenda ambiental está conectada à produção agropecuária, à conservação dos recursos naturais e à adaptação às mudanças climáticas. O documento também trata da proteção da sociobiodiversidade, dos territórios pesqueiros e das comunidades das águas, além de políticas para recuperação de áreas degradadas e proteção dos recursos hídricos.
No caso de Flávio Bolsonaro, o programa afirma que todos os biomas devem ser protegidos e estabelece a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029. O texto prevê o uso de inteligência artificial, imagens de satélite e bases de dados em tempo real para combater desmatamento, queimadas, grilagem e ocupação ilegal de terras. Também propõe mecanismos de pagamento por serviços ambientais e trata a conservação como atividade econômica associada ao ‘ativo verde’. Há, contudo, uma distinção importante entre os programas presidenciais e a legislação específica sobre o Pantanal. Em 2025, foi sancionada a Lei nº 15.228, que estabelece diretrizes para conservação, proteção e recuperação da vegetação nativa do bioma. A legislação prevê, entre outras medidas, integração entre União, estados e municípios, monitoramento e fiscalização, combate ao desmatamento ilegal, regularização fundiária, combate à grilagem e incentivo a atividades agropecuárias compatíveis com a conservação do Pantanal.








