O senador Flávio Bolsonaro, que também é candidato à presidência da República pelo Partido Liberal (PL), cumpriu uma intensa agenda política neste domingo, dia 11, na capital paulista. Durante sua passagem pela cidade, Flávio Bolsonaro realizou um encontro com prefeitos e vereadores que representam a vasta região da Grande São Paulo. Esta reunião estratégica ocorreu em um prédio localizado na área central da metrópole, especificamente no conhecido Vale do Anhangabaú, um ponto de referência no coração da cidade.
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, não estava sozinho em seus compromissos. Ele foi acompanhado por importantes figuras políticas, incluindo o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o atual prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. Além deles, diversas outras autoridades locais e regionais também marcaram presença no evento, reforçando o caráter institucional do encontro.
Discurso e Propostas Econômicas
Em seu pronunciamento durante o evento, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato também fez menção à queda observada nas taxas de juros futuros, um movimento que, segundo ele, ocorreu logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais.
Em suas declarações, Flávio Bolsonaro afirmou: “O futuro ex-presidente da República me desafiou [sobre de quais setores eu vou] tirar R$ 250 bilhões. A primeira coisa que eu vou fazer é tirar esse cara da presidência da República. Só quando a gente virou na frente do primeiro para o segundo turno, a taxa de juros futuro já caiu 1%”. Ele complementou sua análise econômica, explicando que “Cada 1% a menos de taxa de juros, vamos arredondar, são R$ 100 bilhões que foi aberto de espaço no orçamento. Só com o simples fato de o Lula sair da cadeira”, enfatizando o impacto financeiro que ele atribui à mudança de cenário político.
Nos dias que antecederam o evento, o nome do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, circulou como um possível futuro ministro em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Contudo, é relevante notar que o período de gestão de Campos Neto à frente do Banco Central, que se estendeu de 2019 a 2024, foi caracterizado por uma significativa elevação da taxa básica de juros no país.

São Paulo (SP), 11/10/2026 – Candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, durante encontro com prefeitos. Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Área Social e Compromissos
Por meio de suas plataformas nas redes sociais, Flávio Bolsonaro fez questão de esclarecer que os cortes de gastos públicos que ele propõe, caso eleito, não serão implementados na área social. Ele reiterou sua posição, negando categoricamente a intenção de realizar cortes em programas essenciais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Adicionalmente, o candidato prometeu valorização para os aposentados do Brasil, assegurando que “Os aposentados do Brasil vão ser valorizados, vai ter aumento acima da inflação.” O candidato do Partido Liberal expressou sua confiança na equipe econômica que pretende formar para seu governo, afirmando ter certeza de que, com esse time, será possível realizar os cortes necessários prometidos em um curto espaço de tempo. Ele detalhou sua visão, declarando: “E eu tenho certeza de que, com o time que nós vamos apresentar na parte da economia, que vai fazer um trabalho sério, que vai combater a corrupção desse governo, que vai procurar cada centavo de desperdício de dinheiro público, vamos resolver em pouquíssimo tempo (os cortes). Essa taxa de juros vai cair 2%, 3%, 4%.”
Contexto Histórico e Medidas Anteriores
É importante contextualizar que parte das críticas direcionadas ao plano de governo de Flávio Bolsonaro remete a medidas que foram implementadas durante a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No decorrer daquele mandato, foram propostas modificações no Benefício de Prestação Continuada (BPC), as quais visavam restringir o acesso a esse benefício. Além disso, ocorreram alterações no programa Bolsa Família, que foi substituído pelo Auxílio Brasil. Este novo programa, conforme auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), teve sua execução associada a um aumento nos riscos de irregularidades. Adicionalmente, no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, que foi encaminhado ao Congresso Nacional no ano de 2022, o governo de Jair Bolsonaro havia proposto uma significativa redução de 59% nos recursos destinados ao programa Farmácia Popular. Essa proposta implicaria uma diminuição da verba de R$ 2,04 bilhões para aproximadamente R$ 804 milhões, representando um corte de cerca de R$ 1,2 bilhão. Contudo, essa redução específica não foi mantida na versão final do orçamento que foi aprovada pelo Congresso. O legislativo, por sua vez, optou por recompor e, inclusive, ampliar os recursos que seriam destinados ao programa Farmácia Popular, revertendo a proposta inicial de corte.








