A banana que não escurece foi criada por um grupo de cientistas para resolver um problema comum: o rápido escurecimento da fruta após ser aberta ou cortada devido à exposição ao oxigênio.
A empresa britânica de biotecnologia agrícola Tropic desenvolveu essa variedade inovadora. Segundo a firma, a fruta mantém o mesmo sabor e textura, mas permanece ‘fresca, amarela e apetitosa por muito tempo após ser descascada e cortada em rodelas’.
Gilad Gershon, diretor-executivo da Tropic, afirmou, em declarações reproduzidas pelo jornal The Guardian, que a polpa da banana resiste pelo menos um ou dois dias a mais sem escurecer. Esse período pode ser ainda maior se a fruta for mantida sob refrigeração.
Tecnologia por trás da banana que não escurece
O escurecimento da fruta é causado pela enzima polifenol oxidase (PPO), que é ativada ao entrar em contato com o oxigênio. Para evitar esse processo, os cientistas da Tropic utilizaram a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9.
Com esse método, eles conseguiram reduzir drasticamente a produção da enzima PPO sem introduzir DNA de outras espécies. Essa técnica já foi testada com sucesso em alimentos como cogumelos, morangos e tomates.
Inovação para reduzir o desperdício alimentar
A inovação busca facilitar a inclusão de bananas em produtos pré-embalados, como saladas de frutas e refeições para o café da manhã. Além disso, visa reduzir o grande volume de produção que é descartado apenas por apresentar aparência de maior amadurecimento.
Um estudo do governo britânico de 2017 revelou que 1,4 milhão de bananas próprias para consumo eram jogadas no lixo diariamente no Reino Unido. O levantamento indicou que 30% dos consumidores descartavam a fruta ao identificar pequenos amassados ou manchas pretas e marrons.
A Tropic estima que esta variedade de banana que não escurece poderia contribuir para uma redução anual de mais de 9 milhões de toneladas de emissões de CO₂ somente no mercado de exportação de bananas.
Aprovação e próximos passos para a banana que não escurece
No campo regulatório, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) aprovou a notificação de comercialização. A conclusão foi que a banana é uma ‘variedade melhorada com precisão’, requisito para sua distribuição sob a legislação de plantas geneticamente editadas, em vigor na Inglaterra desde novembro de 2025.
Um porta-voz do Defra destacou que ‘o melhoramento genético de precisão oferece enorme potencial para fortalecer a segurança alimentar, reduzir o uso de pesticidas, aumentar a produtividade das lavouras e melhorar a resistência a doenças’.
Apesar desse aval, a banana que não escurece ainda precisa passar pela avaliação da Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido para autorização de comercialização antes de chegar às prateleiras dos supermercados no país.
O porta-voz do Defra acrescentou que essa banana representa ‘um excelente exemplo de como a inovação pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos e melhorar a sustentabilidade do nosso sistema alimentar, ao mesmo tempo em que mantém nossos padrões de referência mundial’.
Reconhecimento internacional e comercialização
Enquanto aguarda a aprovação definitiva no Reino Unido, a inovação da Tropic já obteve autorizações para comercializar o produto no Brasil, no Japão e nas Filipinas, conforme confirmado por Gershon.
A aprovação no Brasil é considerada estratégica, visto que o país está entre os maiores produtores e consumidores de bananas do mundo. O impacto desse desenvolvimento científico foi reconhecido pela revista Time, que classificou a banana que não escurece como um importante avanço e uma das melhores invenções do ano.
Fonte: G1 Notícias








