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2 de novembro de 2026

A Pecuária pelos Pecuaristas

A pecuária brasileira, símbolo de progresso, enfrenta desafios ambientais, mas mantém sua relevância social e econômica. O setor se transforma, adotando tecnologias e sistemas integrados para a sustentabilidade, com a produção tropical a pasto como diferencial. O artigo ressalta a importância de comunicar essa realidade e dar voz aos pecuaristas, reconhecendo-os como protagonistas nas discussões sobre desenvolvimento territorial e segurança alimentar, u...
A pecuária pelos pecuaristas: voz do campo na sustentabilidade
Imagem gerada com IA - Gemini

Durante muitos anos, a pecuária brasileira foi símbolo de progresso, ocupação produtiva do território e desenvolvimento econômico. Foi por meio dela que inúmeras regiões se consolidaram, gerando oportunidades, empregos e segurança alimentar. Entretanto, nas últimas décadas, por influencia dos interesses do mercado internacional, o debate público passou a enxergar a atividade principalmente por seus desafios ambientais, deixando em segundo plano sua importância social, econômica e até mesmo seu potencial como aliada da sustentabilidade.

A pecuária é uma das bases da produção de alimentos do Brasil e do mundo. Mais do que produzir carne, leite e couro, ela sustenta milhares de comunidades rurais, movimenta cadeias produtivas inteiras e contribui para a permanência das famílias no campo. O agronegócio representa cerca de um quarto do PIB brasileiro, e a pecuária é uma de suas atividades mais relevantes, gerando renda, arrecadação e oportunidades em municípios que dependem diretamente dessa atividade para seu desenvolvimento.

No aspecto social, a pecuária está presente em praticamente todos os estados brasileiros, conectando pequenos, médios e grandes produtores. Ela promove inclusão produtiva, fortalece economias locais e contribui para a fixação das populações em seus territórios. Em muitas regiões, especialmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a atividade pecuária é responsável por impulsionar infraestrutura, educação, comércio e serviços.

Sob a perspectiva ambiental, o setor vive uma transformação sem precedentes. A adoção de tecnologias de manejo, recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, rastreabilidade e monitoramento ambiental demonstra que produzir e conservar podem caminhar juntos. Estudos da Embrapa mostram que a recuperação de pastagens e os sistemas integrados têm potencial para aumentar a produtividade, reduzir emissões por quilo de alimento produzido e ampliar o sequestro de carbono nos solos.

É justamente nesse contexto que a pecuária tropical brasileira apresenta um diferencial único. Enquanto diversos países dependem fortemente de sistemas intensivos de confinamento e de alimentação baseada em grãos, o clima tropical permite a produção a pasto durante grande parte do ano. Essa característica favorece sistemas produtivos mais conectados aos ciclos naturais e amplia as oportunidades para a conservação dos recursos naturais, da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

Mas talvez o maior desafio da atualidade não seja apenas produzir de forma sustentável. Seja também comunicar essa realidade. Durante muito tempo, a pecuária foi discutida por especialistas, governos, organizações e mercados, enquanto a voz de quem vive diariamente a atividade permanecia distante dos grandes debates. Surge então a importância de iniciativas como a Pecuária Tropical pelo Clima e o projeto Vozes da Pecuária, que reconhecem o produtor rural como protagonista das discussões sobre sustentabilidade, desenvolvimento territorial e segurança alimentar.

Como embaixadora do território São Luiz e Trindade, tenho a oportunidade de participar de um movimento que busca construir pontes entre o campo e a sociedade. Mais do que defender um setor, trata-se de ampliar o diálogo, compartilhar experiências e mostrar que a sustentabilidade não será construída contra os produtores, mas com eles.

Dar voz à pecuária é reconhecer que quem produz alimentos também produz conhecimento, preserva tradições, movimenta economias e contribui para a construção de soluções para os desafios climáticos e sociais do nosso tempo. O futuro da sustentabilidade passa pela capacidade de unir produção, conservação e desenvolvimento, valorizando aqueles que conhecem o território não pelos mapas, mas pela experiência de quem vive e trabalha nele todos os dias.

Dra. Fernanda de Arruda Machado

Cáceres No Ar

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