A polarização do PSDB em MT e o forte movimento da direita frustraram os planos iniciais do partido, conforme avaliação da sigla. O PSDB considera que saiu fortalecido das urnas em Mato Grosso ao dobrar sua bancada na Assembleia Legislativa (ALMT), elegendo dois deputados estaduais. O presidente da sigla, Carlos Avallone, foi reeleito com 31.035 votos, e Chico Guarnieri obteve 18.842 votos.
Desempenho Abaixo das Expectativas e a Frustração do PSDB
Apesar do crescimento em relação a 2022, quando apenas Avallone havia conquistado uma cadeira pela legenda, o dirigente admitiu que o desempenho geral do partido ficou abaixo das expectativas iniciais. Avallone expressou frustração por não ter alcançado a meta de eleger um terceiro parlamentar. Um dos principais fatores apontados para este resultado foi a discrepância entre as pesquisas de intenção de voto e a apuração final nas urnas. Este fenômeno, segundo ele, atingiu diversos candidatos competitivos do partido, como Juca do Guaraná, que terminou na primeira suplência com 17.349 votos.
“O Guarnieri, o Juca, o Adenilson, o Ostentação, o Dr. Marcos Vinícius, o Nelson Paim, todos eles apareciam na pesquisa melhor do que saiu na urna. Foi um movimento que tem que ser estudado por cada um”, afirmou Avallone na quarta-feira (07), ressaltando a necessidade de compreender o recado das urnas.
Influência da Onda de Direita e Polarização Política
O deputado explicou que o cenário eleitoral foi fortemente influenciado por uma onda de direita e pelo apelo ao bolsonarismo em Mato Grosso. Esta dinâmica foi semelhante à observada nas disputas municipais em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Primavera do Leste. Para Avallone, a polarização beneficiou tanto nomes alinhados à esquerda quanto à direita, mas teve maior peso no campo conservador.
“Quem se posicionou pela esquerda, em alguns casos, conseguiu. É o caso do Lúdio, do Barranco, da Rosa Neide. E, pela direita, a mesma coisa. Pela direita o movimento foi mais forte, porque aqui é mais bolsonarista, é mais direita”, explicou o presidente do PSDB.
Consequências da Concentração de Votos e o Equilíbrio Democrático
Essa concentração de votos em extremos políticos acabou deixando nomes tradicionais e sem mandato fora do parlamento estadual e federal. Quando questionado sobre a longevidade do predomínio de grupos associados à nova direita no cenário nacional, Avallone ponderou que a alternância de poder é saudável para a democracia, fazendo um paralelo crítico com a trajetória de hegemonias partidárias.
“Olha, eu espero que não [haja encolhimento da ala progressista], pelo bem da democracia de uma forma geral. [Essa nova direita] permanecer no poder por 20, 30 anos já ficou provado, até pelo próprio momento que nós estamos, que isso não é bom. Nós temos isso com o PT há 20 e tantos anos no poder, e isso tem demonstrado que acaba tendo vícios e problemas muito graves”, pontuou Avallone.
Análise Detalhada e Próximos Passos do PSDB
Por fim, o presidente do PSDB defendeu um maior equilíbrio no debate político e ressaltou que pretende realizar uma análise detalhada dos resultados junto aos candidatos da chapa. O objetivo é entender o comportamento do eleitorado e planejar os próximos passos da legenda.
“Tem muitas pessoas boas na direita, tem muitas pessoas boas na esquerda, como tem pessoas boas no centro, como tem pessoas ruins em todos os lugares. Então, bem, deixando claro isso. Mas várias votações foram feitas em cima de defesa de posição direita e esquerda. Tudo bem, a população entende isso, nós temos que respeitar o foco da população”, concluiu.








