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7 de novembro de 2026

Delegação chinesa em MT mira carne sustentável e novos negócios

Uma delegação chinesa em MT, liderada pela CFNA, visita Mato Grosso até 6 de maio. O foco é a carne bovina sustentável, rastreabilidade e a ampliação da relação comercial. A missão, que inclui técnicos e cerca de 20 empresários asiáticos, avalia o modelo de produção local para atender às exigências do mercado chinês. Além da carne, observa outras commodities como soja e milho, buscando diversificar a pauta exportadora. A visita também abordou a cota de exportação de carne e a possibilidade de incluir miúdos bovinos, visando agregar valor à produção mato-grossense.
Delegação chinesa em MT mira carne sustentável e negócios
A China é destino de metade da produção de grãos e proteína animal de Mato Grosso. - Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

Uma missão internacional, composta por uma delegação chinesa em MT, liderada pela Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Nativos e Subprodutos Animais (CFNA), está em Mato Grosso até 6 de maio. O principal objetivo é a carne bovina, a sustentabilidade e a ampliação da relação comercial com o país asiático. A China é atualmente o destino de metade da produção de grãos e proteína animal de Mato Grosso.

O primeiro compromisso da delegação chinesa em MT ocorreu nesta segunda-feira (4), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá. A reunião contou com a presença do governador Otaviano Pivetta, secretários de Estado e representantes do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que intermediou e é anfitriã da comitiva. A delegação é formada por técnicos da CFNA e aproximadamente 20 empresários asiáticos que atuam na importação, logística e distribuição de proteína animal no mercado chinês.

Foco na Sustentabilidade e Rastreabilidade

A visita possui um caráter técnico e estratégico. Mato Grosso foi selecionado como vitrine para um dos temas cruciais na abertura e manutenção de mercado: a capacidade de produzir com sustentabilidade comprovada e rastreabilidade completa, desde a origem do animal até o destino final. A delegação chinesa em MT veio ao Estado para avaliar, in loco, o funcionamento do modelo de carne sustentável e como esse sistema pode atender às novas exigências do mercado chinês, que está cada vez mais atento a critérios ambientais, sanitários e de transparência na cadeia produtiva.

A vice-presidente da CFNA, Yu Lu, afirmou que ‘a visita ao Brasil está diretamente ligada ao avanço da carne com sustentabilidade. Mato Grosso já é reconhecido como uma das regiões mais avançadas do país nesse tema, e viemos entender como esse modelo funciona na prática, desde a fazenda até a chegada do produto ao mercado chinês’.

Diversificação da Pauta Exportadora e Segurança Alimentar

Além da carne bovina, a delegação chinesa em MT também observa a capacidade produtiva do Estado em outras commodities e avalia oportunidades de diversificação da pauta exportadora. Este movimento acompanha uma estratégia mais ampla da China de garantir segurança alimentar com múltiplos fornecedores e cadeias mais previsíveis. Yu Lu complementou que ‘a gente não está olhando apenas para a carne bovina. Mato Grosso tem força também em soja, milho e outros produtos, e isso amplia o interesse da China na região’.

Outro ponto abordado na reunião foi a cota de exportação de carne para a China, que já apresenta alto nível de utilização nos primeiros meses do ano, gerando preocupação entre produtores brasileiros. A cota do Brasil é de embarque de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina por ano. De janeiro a março, o país já utilizou 46% da cota. Apenas Mato Grosso exportou para a China no ano passado 978,4 mil toneladas.

Apesar disso, a avaliação da delegação chinesa é de continuidade nas compras, com possibilidade de ajustes futuros no modelo. Yu Lu explicou que existe um mecanismo de controle de volume, mas também há espaço para estudos e ajustes que permitam ampliar esse mercado ao longo dos próximos anos. Do lado do Governo de Mato Grosso, o discurso foi de reposicionamento estratégico. O Estado busca consolidar uma imagem de fornecedor confiável em um mercado cada vez mais exigente.

O governador Otaviano Pivetta afirmou que ‘Mato Grosso não quer ser apenas um grande produtor. Queremos ser reconhecidos pela qualidade, pela sustentabilidade e pela rastreabilidade da nossa produção. É isso que garante acesso a mercado e competitividade no longo prazo’. A leitura do Governo é de que essa agenda representa uma mudança de patamar na relação comercial com a China, especialmente pela presença direta da CFNA, que atua como elo entre o governo chinês e o setor produtivo e tem influência sobre regras de acesso ao mercado.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que ‘essa agenda mostra que Mato Grosso está sendo observado não só pelo volume que produz, mas pela forma como produz. A rastreabilidade e as boas práticas comerciais são diferenciais que colocam o estado em outro nível nas negociações internacionais’. A estratégia também passa por agregar valor à produção local e ampliar a participação do estado em etapas mais qualificadas da cadeia, incluindo industrialização e atração de investimentos estrangeiros.

O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, ressaltou que ‘Mato Grosso já é essencial para a segurança alimentar chinesa porque entrega escala, regularidade e segurança. O próximo passo é avançar em valor agregado, industrialização e integração dessa cadeia com o mercado chinês’.

Avanços e Próximos Passos da Delegação Chinesa em MT

Entre os avanços discutidos, está a possibilidade de ampliar a pauta exportadora com a inclusão de miúdos bovinos (fígado, rins, língua, coração, dentre outros), que ainda não fazem parte da cota padrão chinesa, hoje concentrada na carcaça bovina. A medida pode representar ganho imediato de valor para a cadeia produtiva. A agenda da delegação chinesa em MT segue nos próximos dias com visitas técnicas a frigoríficos e associações do setor, nesta terça-feira (5), além de um workshop técnico no dia 6 de maio, organizado com o Imac, para aprofundar discussões sobre sustentabilidade, rastreabilidade e oportunidades comerciais.

Fonte: Secon/MT

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