Em um dia marcado por nervosismo nos mercados doméstico e externo, o dólar aproximou-se de R$ 5,20, fechando no maior nível desde o fim de agosto. A bolsa de valores registrou queda de quase 1%, encerrando o dia abaixo dos 184 mil pontos. Esse movimento foi impulsionado por uma maior aversão a risco nos mercados internacionais, evidenciada pela alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo avanço do petróleo, em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. No cenário nacional, os investidores também monitoraram as novas projeções econômicas do Banco Central e o panorama fiscal.
Dólar em Destaque e Principais Indicadores
O dólar comercial encerrou a quinta-feira (24) negociado a R$ 5,1931, registrando uma alta de 0,47%. A cotação, que começou o dia em R$ 5,16, alcançou a máxima de R$ 5,202 por volta das 15h. Com este desempenho, a moeda norte-americana acumula valorização de 0,26% em setembro, apesar de ainda apresentar uma queda de 5,39% no acumulado do ano.
A valorização do dólar no Brasil refletiu o comportamento da moeda no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,14%, atingindo 101,270 pontos por volta das 17h. Esse movimento ganhou força durante a manhã, impulsionado pela elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A alta dos juros nos EUA é reflexo das preocupações com a inflação americana e da expectativa de que o Federal Reserve mantenha as taxas de juros em patamares elevados.
O Treasury de dez anos, título público estadunidense, fechou o dia em 5,2209%, superando os 5,114% da sessão anterior e atingindo um rendimento acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Rendimentos mais altos para os títulos públicos dos Estados Unidos, considerados os investimentos mais seguros globalmente, tendem a estimular a saída de capital de economias emergentes, como o Brasil. Os principais números do dia foram:
- Dólar à vista: R$ 5,1931 (+0,47%);
- Ibovespa: 183.965,91 pontos (-0,99%);
- Dólar no mês: alta de 0,26%;
- Dólar no ano: queda de 5,39%;
- Petróleo tipo Brent: US$ 106,60 (+3,41%);
- Petróleo tipo WTI: US$ 94,61 (+2,65%).
Ações e Projeções do Banco Central
O Banco Central (BC) interveio no mercado de câmbio nesta quinta-feira, realizando a venda de US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. Essa modalidade de operação consiste na venda de dólares com o compromisso de recompra futura, visando aumentar a oferta de moeda estrangeira e a liquidez no mercado.
Anteriormente, o BC havia reportado que o fluxo cambial brasileiro apresentava um saldo negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro, até o dia 18. Além da atuação no câmbio, a autoridade monetária divulgou novas projeções econômicas. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi revisada para baixo, de 2% para 1,8%. Para o ano de 2027, a previsão é de crescimento de 1,4%.
Bolsa de Valores e Cotações do Petróleo
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em 183.965,91 pontos, registrando uma queda de 0,99%. Durante o pregão, o índice alcançou a máxima de 186.211,43 pontos e a mínima de 183.834,97 pontos. Essa retração acompanhou a deterioração do ambiente internacional para ativos de maior risco, especialmente nos mercados emergentes. A elevação dos rendimentos dos títulos americanos contribuiu para a redução da demanda por esses ativos, enquanto o avanço do petróleo intensificou as preocupações inflacionárias.
No cenário doméstico, os investidores também reagiram à divulgação de novas projeções para as contas públicas. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento informaram a redução da necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, mas elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões. O mercado também monitorou a divulgação de novas pesquisas eleitorais.
O petróleo, por sua vez, finalizou o dia em forte alta, impulsionado pelas incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 3,41%, atingindo US$ 106,60. Este tipo de petróleo acumula alta de quase 4% na semana e mais de 18% no mês. Já o barril do tipo WTI, do Texas, referência nos Estados Unidos, avançou 2,65%, cotado a US$ 94,61.
As cotações recuaram das máximas da tarde após surgirem informações sobre possíveis negociações entre EUA e Irã para um acordo que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz. Contudo, a indefinição dessas negociações manteve a pressão sobre os preços da commodity. A evolução do petróleo é crucial para os mercados, pois combustíveis mais caros podem intensificar as pressões inflacionárias e impactar as expectativas para as taxas de juros em diversas economias globais.
*Com informações da Reuters








