Edílson Silva Ferreira, o ‘Capetinha’, sempre foi sinônimo de personalidade forte e talento inquestionável nos gramados. Aos 56 anos, o pentacampeão mundial de 2002 e ídolo de clubes como Palmeiras, Corinthians e Flamengo, abriu o jogo em uma entrevista reveladora ao ‘Abre Aspas’, da Globo. Ele detalhou desde a transformação pessoal após o Big Brother Brasil até episódios polêmicos, como os tiros na concentração do Vitória e perdas financeiras significativas.
A Vida Pós-BBB e os Desafios Financeiros
A participação no Big Brother Brasil, de onde foi expulso por agredir um colega, marcou um divisor de águas para Edílson. ‘O Big Brother me deixou independente de várias coisas. Eu mostrei para mim mesmo que não tenho limites’, afirmou. Apesar do arrependimento, ele acredita que a experiência o fez crescer e ser mais verdadeiro. Hoje, Capetinha atua na assessoria de ex-atletas e jogadores, buscando evitar que outros caiam nos mesmos erros que ele cometeu.
Edílson revelou ter perdido ‘muita grana’ em investimentos equivocados, citando o golpe do Boi Gordo. ‘A gente deixou muito dinheiro e até hoje não foi resolvido esse negócio’, lamentou. Ele estima que o valor, desde 1998/1999, seria suficiente para uma aposentadoria tranquila. ‘Talvez a gente passe por isso para ser exemplo para os jogadores mais jovens não caírem nessa lábia de pessoas que vêm com maldade para cima para poder aplicar o golpe’, alertou.
As Inúmeras Brigas e a Personalidade Forte
A carreira de Edílson foi pontuada por títulos e, também, por muitas confusões. Sua personalidade explosiva gerou atritos com diversas figuras do futebol. ‘Eu também não fui santo, não. Sou um cara com uma personalidade muito forte, já tive muita dificuldade em lidar com grupos’, confessou. Curiosamente, Edílson revelou nunca ter bebido álcool, uma escolha para manter o alto rendimento.
‘O Vanderlei era tiro, porrada e bomba. Ele era bom técnico, sabia o que fazer. Mas como gestor de jogadores ele tinha essa dificuldade’ — disse Edílson sobre Luxemburgo.
Com Vanderlei Luxemburgo, a relação foi tensa. Edílson relembrou brigas que o levaram a sair do Palmeiras e a ser afastado no Corinthians. No Corinthians, a ‘trairagem’ era grande, mas ele sabia lidar com os ‘malucos’ do elenco, como Vampeta e Marcelinho Carioca, seu melhor companheiro em campo. ‘Eu era todos eles em um só. Eu não posso falar de mim, mas eu era chato para c… também’, brincou.
Os Tiros no Vitória e Outros Confrontos
Um dos episódios mais marcantes foi no Vitória, com o técnico Evaristo de Macedo. Após um assalto na concentração, Edílson se recusou a concentrar. Ao retornar, decidiu ‘dar um susto’ na comissão técnica. ‘Baixei o vidro e dei um monte de tiro para cima’, narrou. O susto foi generalizado, com o presidente Paulo Carneiro pulando na piscina. A confusão culminou em uma discussão com Evaristo, onde Edílson o empurrou. Ele se arrepende: ‘Não deveria ter feito aquela brincadeira sem graça, nem ter empurrado o Evaristo para me proteger. Já pedi desculpas a ele.’
Outras brigas notórias incluíram a com Edmundo, no Palmeiras, quando o ‘Animal’ lhe deu um tapa no rosto em campo, e a disputa pela camisa 10 com Petkovic no Flamengo, uma ‘vaidade pura’ que, apesar dos atritos, não impedia a boa parceria em campo.
Corinthians, Embaixadinhas e a Seleção Atual
Edílson considera o Corinthians da sua época o melhor time da história do clube, mas lamenta a perda da Libertadores para o Palmeiras por ‘soberba’. As famosas ‘embaixadinhas’ na final do Paulistão de 1999, que geraram a confusão, foram espontâneas e, segundo ele, acabaram revelando Ronaldinho Gaúcho. Hoje, ele se sente mais corintiano, criticando o Palmeiras por ‘apagar’ sua história. Sobre o futebol atual, Edílson vê jogadores ‘burocráticos’ e questiona a qualidade da Seleção Brasileira, afirmando que o grupo de pentacampeões de 2002 não tinha confiança no hexa. ‘A gente jogou sem centroavante. Não tínhamos um Roberto Carlos, um Cafu, um Careca, um Ronaldo, um Romário na frente’, analisou. Edílson ainda provocou, perguntando se o Neymar atual teria lugar na Seleção de 2002, ao lado de Rivaldo.
‘Entrava no vestiário e falava: “Querem ganhar o jogo hoje? Passem a bola para mim e deixem que eu resolvo”. Eu não era jogador de treino, era jogador de jogo grande.’ — Edílson.
Com projetos pessoais como o podcast ‘Edílson Que o Povo Gosta’ e o show ‘A Melhor Resenha do Mundo’, Edílson segue ativo, defendendo a valorização dos ex-jogadores e a importância de sua experiência para o futebol brasileiro.








