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7 de novembro de 2026

Inteligência artificial ameaça aprendizado da escrita, alerta autor

Sérgio Rodrigues alerta: uso excessivo de IA pode comprometer a capacidade de escrita e o desenvolvimento intelectual, impactando a sociedade.
Inteligência Artificial - Ciência, Tecnologia; Pesquisa. Foto: Rawpick/Freepick
Inteligência Artificial - Ciência, Tecnologia; Pesquisa. Foto: Rawpick/Freepick

IA escrita: um novo romance, a redação escolar, uma poesia, uma carta de amor, um aviso singelo na porta da geladeira – a criação desses textos estaria realmente ameaçada pelas ferramentas de inteligência artificial (IA)? O escritor Sérgio Rodrigues, jornalista e romancista, levanta a questão, alertando que a eventual perda da prática da escrita pode levar a um retrocesso preocupante para toda a sociedade.

A defesa da escrita humana em tempos de robôs

No seu mais recente livro, “Escrever é humano: como dar vida à sua escrita em tempo de robôs”, Sérgio Rodrigues argumenta sobre a necessidade de atenção e incentivo à prática da escrita. O autor, que lançará a obra em Brasília, defende que, embora as tecnologias generativas estejam em constante aprimoramento, os robôs não conseguem replicar as características verdadeiramente humanas presentes na escrita.

Rodrigues enfatiza que a IA representa uma ameaça para diversas atividades profissionais, mas seu alerta vai além. “Mais do que pelo mercado de trabalho, eu temo um retrocesso civilizatório e intelectual”, afirma o escritor, ressaltando a importância fundamental da escrita para o desenvolvimento humano.

Criatividade vs. Imitação: o que a IA não consegue replicar

Em entrevista, Sérgio Rodrigues explica que a ideia do livro surgiu inicialmente como um manual para auxiliar pessoas que estão começando a escrever, especialmente na área da ficção. A criação de um blog chamado Todoprosa, que ficou ativo entre 2006 e 2016, foi um ponto de partida para o desenvolvimento de algumas das ideias presentes na obra.

O surgimento da inteligência artificial generativa adicionou uma urgência e um novo foco ao projeto. “A criatividade é o contrário do que a inteligência artificial faz”, explica Rodrigues. Ele acredita que escrever com criatividade é algo que os robôs não conseguem realizar. A IA, segundo ele, oferece uma imitação impressionante da linguagem humana, mas sem as dimensões que sustentam a verdadeira escrita criativa. O autor ressalta que, pelo menos enquanto não houver uma consciência de si, as tecnologias não terão acesso a essa capacidade.

O livro aborda a escrita com ambição artística, buscando fazer da linguagem um espetáculo em si. Rodrigues defende que a escrita é uma atividade exclusivamente humana, assim como a arte. Embora a IA possa produzir imitações cada vez mais convincentes, ele argumenta que a essência da escrita reside na subjetividade de quem a produz, algo que a máquina não consegue replicar.

O risco de desaprender a escrever

Sérgio Rodrigues também expressa preocupação com o impacto da IA no mercado de trabalho, que já sente a ameaça em diversas áreas. A capacidade da IA de executar tarefas antes exclusivas dos seres humanos com velocidade e menor custo é inegável. No entanto, ele alerta para um risco ainda maior: o de que os seres humanos desaprendam a escrever.

O autor destaca que, ao terceirizar a escrita, mesmo em tarefas simples do dia a dia, as pessoas podem perder essa habilidade fundamental. Ele compara a situação com a perda da capacidade de memorizar números de telefone após a popularização dos celulares. “Escrever é uma tecnologia de pensamento”, afirma Rodrigues, enfatizando que a terceirização excessiva da escrita pode levar a um retrocesso civilizatório e intelectual.

A escola e o futuro da escrita

O escritor também aborda o papel da escola nesse cenário. Ele alerta para o risco de os alunos passarem a entregar trabalhos feitos por inteligência artificial, o que prejudicaria o desenvolvimento da habilidade de escrita. Rodrigues defende que a escola precisa criar um ambiente que controle o uso da IA e incentive o prazer de escrever.

Ele reconhece que a sociedade já caminhava para uma certa “robotização” da escrita, com fórmulas prévias e clichês. A IA, nesse sentido, seria um passo adiante nesse caminho. No entanto, Rodrigues ressalta que a IA é uma ferramenta criada pelos seres humanos e que sua utilização excessiva pode levar a uma superficialidade na leitura do mundo e a um definhamento do espírito crítico.

Estratégias para incentivar a escrita

Sérgio Rodrigues sugere que a escola precisa se reinventar para criar espaços seguros para o pensamento e a escrita, onde a máquina não possa entrar. Ele cita o exemplo da Finlândia, que baniu os computadores das salas de aula após ter adotado o uso da tecnologia.

O escritor também enfatiza a importância da leitura e do papel das famílias no incentivo à escrita. Ele espera que não seja tarde demais para conscientizar as pessoas sobre os riscos da terceirização excessiva da escrita e sobre a importância de valorizar a criatividade e o pensamento crítico. Para ele, a IA pode ser uma ferramenta útil, mas não pode se tornar a “mestre ou dona” das pessoas.

Por fim, Sérgio Rodrigues destaca o desafio de criar políticas públicas que regulamentem o uso da IA, enfrentando os lobbies das grandes empresas de tecnologia, que buscam evitar qualquer tipo de regulamentação.

Fonte Agencia Brasil

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