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7 de novembro de 2026

Guerra em Gaza: Israel supera todos os conflitos históricos em mortes de jornalistas

Desde outubro de 2023, 246 jornalistas foram mortos, segundo o Sindicato de Jornalistas Palestinos. O número supera o de grandes guerras somadas.
KHAN YUNIS, GAZA - AUGUST 25: (EDITOR'S NOTE: Image depicts death) A funeral ceremony is being held in the courtyard of Nasser Hospital for Reuters photojournalist Hossam al-Masri, Al Jazeera cameraman Mohammed Salameh, journalist Maryam Abu Deqqa, who worked with several media outlets including Independent Arabia and AP, and NBC News journalist Moaz Abu Taha, all of whom were killed in an Israeli attack on the hospital in Khan Yunis, Gaza on August 25, 2025. Relatives and colleagues of the slain journalists expressed deep grief during the ceremony. Abed Rahim Khatib / AnadoluNo Use USA No use UK No use Canada No use France No use Japan No use Italy No use Australia No use Spain No use Belgium No use Korea No use South Africa No use Hong Kong No use New Zealand No use Turkey
KHAN YUNIS, GAZA - AUGUST 25: (EDITOR'S NOTE: Image depicts death) A funeral ceremony is being held in the courtyard of Nasser Hospital for Reuters photojournalist Hossam al-Masri, Al Jazeera cameraman Mohammed Salameh, journalist Maryam Abu Deqqa, who worked with several media outlets including Independent Arabia and AP, and NBC News journalist Moaz Abu Taha, all of whom were killed in an Israeli attack on the hospital in Khan Yunis, Gaza on August 25, 2025. Relatives and colleagues of the slain journalists expressed deep grief during the ceremony. Abed Rahim Khatib / AnadoluNo Use USA No use UK No use Canada No use France No use Japan No use Italy No use Australia No use Spain No use Belgium No use Korea No use South Africa No use Hong Kong No use New Zealand No use Turkey

Israel mata jornalistas em um ritmo alarmante, superando a quantidade de profissionais de mídia mortos em vários conflitos históricos combinados, em um período de menos de dois anos. O Sindicato de Jornalistas Palestinos estima que 246 profissionais foram assassinados desde 7 de outubro de 2023.

Um número alarmante de mortes

O número de jornalistas mortos por Israel excede a soma das mortes em sete grandes conflitos históricos: as duas Guerras Mundiais, a Guerra Civil Americana, as guerras na Síria, Vietnã (incluindo os conflitos no Camboja e Laos), Iugoslávia e Ucrânia. Os dados dos jornalistas mortos nos demais conflitos são do Memorial Freedom Forum, que reúne os nomes dos profissionais assassinados em conflitos armados ao longo da história, com exceção do conflito da Ucrânia, que foi calculado pelo Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Uma pesquisa da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, concluiu que a guerra em Gaza “é, simplesmente, o pior conflito de todos os tempos para repórteres”.

Acusações de ataques deliberados

Entidades de classe que representam jornalistas ao redor do mundo alegam que Israel promove ataques deliberados para impedir a cobertura da guerra na Faixa de Gaza, acusação que o governo de Benjamin Netanyahu nega.

O CPJ afirma que “Israel está se engajando no esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas já documentado pelo CPJ. Jornalistas palestinos estão sendo ameaçados, diretamente alvejados e assassinados pelas forças israelenses, além de serem arbitrariamente detidos e torturados em retaliação ao seu trabalho”.

Israel proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza sem escolta e controle dos militares do país, dificultando o acesso à informação sobre o que acontece no território palestino ocupado. A situação é especialmente crítica para a imprensa palestina.

Ataques à imprensa palestina

Ainda em 2023, no segundo mês da guerra, 37 jornalistas foram assassinados na Faixa de Gaza. Sherif Mansour, coordenador do CPJ, declarou que “o Exército israelense matou mais jornalistas em dez semanas do que qualquer outro Exército em um único ano”.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos informou que 520 jornalistas foram feridos por balas ou mísseis israelenses, e 800 familiares de profissionais de mídia foram mortos. Outros 206 jornalistas palestinos foram presos por Israel desde outubro de 2023, com 55 ainda detidos, 23 em prisão administrativa, que permite a detenção sem acusação formal.

Além disso, “ataques aéreos e ataques com tanques destruíram 115 veículos de comunicação na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia e em Jerusalém, fecharam cinco veículos de comunicação e destruíram ou fecharam 12 gráficas”, informou o sindicato.

Israel nega atacar deliberadamente civis no conflito, incluindo jornalistas, e justifica alguns assassinatos alegando que os jornalistas tinham ligação com o Hamas, acusações questionadas por entidades profissionais e de direitos humanos.

O ataque ao Hospital Nasser e a morte de jornalistas

Um dos episódios mais recentes e chocantes foi o segundo bombardeio ao Hospital Nasser, em Khan Yunes. Israel bombardeou o hospital enquanto jornalistas registravam o resultado de um ataque anterior. O ataque resultou na morte de 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas: Hussam Al-Masri, contratado da Reuters; Mohammed Salama, operador de câmera da Al Jazeera; Mariam Abu Dagga, fotojornalista freelancer do Independent Arabia e da Associated Press; e os jornalistas freelancers Ahmed Abu Aziz e Moaz Abu Taha, segundo o CPJ.

Em nota, a FDI afirmou que não alveja civis intencionalmente e acusou o Hamas de usar o Hospital Nasser para suas operações, o que o Hamas nega. A FDI informou que uma investigação foi aberta para apurar o ocorrido.

A organização Monitor Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos sugere que os ataques de “tiro duplo” são praticados para atingir paramédicos, defesa civil e jornalistas. “Essa prática transforma locais de resgate e a cobertura da mídia em armadilhas mortais, refletindo claramente a intenção premeditada de paralisar os esforços de socorro, silenciar testemunhas, destruir provas e privar civis de proteção”, destacou a organização.

A morte de Anas al-Sharif e as acusações de Israel mata jornalistas ligados ao Hamas

Em outros casos, Israel acusa jornalistas de trabalharem para o Hamas, justificando os assassinatos. Em outubro de 2024, seis profissionais da Al Jazeera foram acusados de serem do Hamas e da Jihad Islâmica.

No dia 10 de agosto, o correspondente da Al Jazeera, Anas al-Sharif, foi assassinado em uma tenda com outros colegas em frente ao Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza. Em comunicado, o Exército israelense disse que al-Sharif “era chefe de uma célula terrorista na organização Hamas e responsável por lançar ataques com foguetes”.

A Al Jazeera repudiou a acusação e destacou que Israel tenta impedir a divulgação dos acontecimentos do conflito. A organização Monitor Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos questionou a justificativa de que o profissional integrava o Hamas.

Fome e dificuldades de acesso

Outro desafio enfrentado pelos jornalistas é a dificuldade para acessar alimentos, devido ao bloqueio israelense do território e à distribuição de comida limitada por organizações controladas pelos Estados Unidos e por Israel.

Grandes agências de notícias, como AFP, AP, BBC News e Reuters, expressaram “desespero” com a situação dos jornalistas em Gaza, após alertas de fome generalizada. “[Nossos jornalistas] estão cada vez mais incapazes de alimentar a si mesmo e suas famílias”, disseram em declaração conjunta.

A Sociedade de Jornalistas da AFP destacou que, desde 1994, a agência perdeu jornalistas em conflitos, mas “nenhum de nós se lembra de ter visto colegas morrerem de fome”. Apesar disso, o governo de Israel nega que haja fome na Faixa de Gaza.

Fonte Agencia Brasil

Cáceres No Ar

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