O programa Desenrola 2.0, iniciativa do governo federal para renegociação de dívidas bancárias, está próximo de alcançar a marca de R$ 1 bilhão em débitos renegociados. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo o ministro, aproximadamente 200 mil pedidos de renegociação foram encaminhados aos bancos que participam do programa. Deste total, cerca de 100 mil operações já se encontram praticamente finalizadas. O programa é direcionado a indivíduos com renda mensal de até cinco salários mínimos, valor que corresponde atualmente a R$ 8.105.
Ampliação do programa Desenrola 2.0
Durigan também informou que o governo está preparando a expansão do programa para incluir estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Conforme o ministro, esta nova modalidade deve estar ‘totalmente operativa’ ainda nesta semana.
Além disso, o ministro mencionou que o governo elabora uma versão do programa voltada para consumidores que mantiveram suas contas em dia. A intenção é criar um ‘estímulo’ ou ‘prêmio’ para os adimplentes, mas esta medida será anunciada em um segundo momento. Durigan explicou que, neste primeiro instante, o foco principal está nos consumidores inadimplentes, que enfrentam maiores dificuldades financeiras.
Como funciona o Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0 permite que os consumidores renegociem dívidas atrasadas com instituições bancárias em condições mais vantajosas. Podem ser incluídas no programa dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, e que estejam relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A proposta do governo é que os bancos ofereçam um novo empréstimo para quitar a dívida antiga, com a aplicação de descontos e juros menores.
Condições de renegociação oferecidas
As renegociações no âmbito do programa podem incluir descontos que variam entre 30% e 90%, juros máximos de 1,99% ao mês e um prazo de até 48 meses para pagamento. A primeira parcela pode ser paga em até 35 dias. Há um limite de R$ 15 mil renegociados por pessoa em cada banco, e o desconto aplicado é determinado pelo tipo da dívida e pelo tempo de atraso.
Uso do FGTS no Desenrola 2.0
O programa também possibilita que trabalhadores utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas. Será permitido o uso de até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor. Esta medida visa diminuir o endividamento das famílias e evitar que os consumidores busquem linhas de crédito mais onerosas.
As quatro frentes do Novo Desenrola Brasil
O Novo Desenrola Brasil foi estruturado em quatro modalidades distintas: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural. O governo planeja uma mobilização nacional de 90 dias para incentivar as renegociações e reduzir a inadimplência em todo o país.
Condições para o Fies
Em relação ao Fies, as condições de renegociação são variáveis conforme o perfil do estudante e o período de atraso da dívida. Para débitos vencidos há mais de 360 dias, estudantes que não estão no CadÚnico podem ter desconto de até 77%, enquanto aqueles inscritos no CadÚnico podem obter abatimento de até 99% da dívida. Em alguns casos, é prevista a possibilidade de parcelamento em até 150 vezes. O governo estima que mais de 1 milhão de estudantes serão beneficiados com esta renegociação.
Cenário econômico e expectativas
O lançamento do programa ocorre em um contexto de elevado endividamento das famílias brasileiras. Dados do Banco Central indicam que uma parcela significativa da renda dos consumidores permanece comprometida com dívidas, especialmente em modalidades com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial. De acordo com o Ministério da Fazenda, a expectativa é renegociar até R$ 42 bilhões em dívidas ao longo da duração do programa.








