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3 de novembro de 2026

Operação Replay prende 10 pessoas e bloqueia R$ 32 milhões em patrimônio

A Operação Replay, da Polícia Civil de Mato Grosso, cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e ordens judiciais contra 14 investigados. A ação mira uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, com atuação em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ). Foram bloqueados bens e ativos financeiros, somando cerca de R$ 32 milhões.
Operação Replay: 10 presos e R$ 32 milhões em bens bloqueados
Divulgação/PJC

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (30), a Operação Replay para cumprir 10 mandados de prisão preventiva e diversas ordens judiciais. A ação é direcionada a 14 investigados por integrar uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro. Coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a operação ocorre em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

Além das prisões, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens, quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos e medidas patrimoniais. O objetivo é descapitalizar o grupo criminoso. As medidas judiciais também incluem buscas pessoais, domiciliares e veiculares, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio de ativos financeiros. A meta é interromper as atividades da facção, preservar provas, impedir a ocultação de patrimônio e atingir a estrutura financeira do grupo.

Desdobramento de investigações anteriores

Segundo a Polícia Civil, a operação é um desdobramento de investigações que já resultaram nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Essas operações anteriores tinham Paulo Witter Farias, conhecido como “WT”, na liderança, atuando como tesoureiro em uma organização criminosa.

A nova fase da Operação Replay foi baseada na análise de dados telemáticos. Tais dados apontaram a continuidade da atuação da organização, com divisão de funções, um núcleo financeiro estruturado, uso de contas de terceiros e aquisição de imóveis e veículos em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível.

Patrimônio milionário alvo da Operação Replay

As investigações que culminaram na Operação Replay identificaram bens avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões. Entre os imóveis estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, além de 3 terrenos. Quatro veículos, incluindo carros e motocicletas, também foram alvo da operação.

Somente os imóveis foram avaliados em cerca de R$ 16,68 milhões. A lista inclui um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, avaliado em R$ 6 milhões; uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, também estimada em R$ 6 milhões; uma residência de alto padrão em Cuiabá, avaliada em R$ 1,5 milhão; além de três terrenos, que juntos somam aproximadamente R$ 180 mil. Já os veículos bloqueados foram avaliados em cerca de R$ 607,6 mil.

Separadamente, a Polícia Civil pediu o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros. Conforme a investigação, o valor foi calculado com base em planilhas contábeis apreendidas durante as apurações e não deve ser somado ao patrimônio sequestrado, por se tratar de medidas distintas. Em uma das planilhas apreendidas, constava a referência a R$ 14,093 milhões em valores “congelados” e outros R$ 1,231 milhão relacionados ao período analisado. A soma desses registros serviu de base para o pedido de bloqueio financeiro de R$ 15,324 milhões.

Comando de dentro da prisão

Outro ponto destacado pela investigação é que uma das lideranças da organização continuava exercendo funções de comando mesmo presa. O investigado estava em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário estadual. De acordo com a Draco, mensagens analisadas mostram que o investigado determinava cobranças, recolhimento de valores, prestação de contas, correção de planilhas e orientações a integrantes que permaneciam em liberdade.

A investigação também apontou que o mesmo chip telefônico atribuído à liderança foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para os investigadores, a troca constante de aparelhos era uma estratégia para driblar apreensões e controles do sistema prisional, mantendo a comunicação clandestina com integrantes da facção.

Nome da Operação Replay

Segundo a Polícia Civil, o nome da Operação Replay faz referência à repetição das atividades criminosas e à capacidade de reorganização da organização após operações anteriores. A nova fase busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos, enfraquecer o comando exercido de dentro do sistema prisional e retirar da facção os recursos financeiros utilizados para sustentar suas atividades. A Operação Replay visa, portanto, um impacto duradouro na estrutura do grupo criminoso.

Quem é “W.T.”?

Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”, é apontado pelas investigações como o tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele é o alvo central de todas essas operações.

W.T. construiu sua base de atuação na região do bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá. Para dissimular a origem do dinheiro do tráfico de drogas e ganhar simpatia da comunidade, ele utilizava uma tática de assistencialismo — distribuindo cestas básicas e financiando times de futebol amador. Embora tenha condenações que somam mais de 50 anos de prisão, as investigações provaram que ele continuou exercendo o comando financeiro, ordenando cobranças e gerenciando o tráfico de dentro de unidades prisionais de segurança máxima.

O Desdobramento das Operações

As três operações detalhadas por você (junto a uma ação deflagrada hoje) ilustram como a facção tentou se reorganizar após cada golpe policial:

1. Operação Apito Final (Abril de 2024)

Foi a operação de origem que expôs o esquema. A investigação durou quase dois anos e revelou que o núcleo de W.T. movimentou cerca de R$ 65 milhões.

  • O Esquema: O dinheiro do tráfico era lavado através da aquisição de imóveis, construção de espaços esportivos e compra e venda de veículos de luxo.
  • Laranjas: W.T. utilizava familiares, amigos e advogados como “testas de ferro” para registrar os bens.
  • Prisão: W.T. foi preso nesta fase na cidade de Maceió (AL), onde estava com sua equipe e advogados para acompanhar um jogo do seu time de futebol amador.

2. Operação Fair Play (Novembro de 2024)

Foi o primeiro desdobramento direto da Apito Final, com foco específico nas ramificações imobiliárias e no núcleo jurídico/político do esquema.

  • Alvos: A polícia mirou um advogado e um ex-assessor da Câmara de Vereadores de Cuiabá.
  • Lavagem de Dinheiro: O grupo utilizou recursos do tráfico para comprar apartamentos de alto padrão no litoral sul do país, como em Itapema (SC).
  • Tática: Eles utilizavam a técnica de “smurfing” (fracionamento de pagamentos em pequenas quantias) para burlar o rastreamento do sistema financeiro nacional.

3. Operação Tempo Extra (Setembro de 2025)

Com W.T. preso, a organização precisou colocar novos nomes nas ruas para manter o fluxo de caixa ativo. Esta operação mirou os sucessores do esquema.

  • O Sucessor: O principal alvo preso foi Joseph Ibrahim Khargy Junior, apontado como o novo articulador financeiro que assumiu a função de W.T. nas ruas. Ele reestruturou a logística de distribuição de drogas e a continuidade da lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.
  • Família: A operação também cumpriu mandados contra familiares da liderança, incluindo Paulo Henrique, filho de W.T.. Na casa dos alvos, foram apreendidos artigos de luxo, joias e roupas de grife.

Fonte: Gazeta Digital

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