As recursos públicos nas campanhas eleitorais de 2026 em Mato Grosso já movimentaram R$ 74.365.523,96, conforme os dados de prestação de contas disponíveis no DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral. Desse montante, R$ 44.940.215,21 são recursos públicos, o equivalente a 60,43% do total. Os recursos de origem privada somam R$ 29.425.308,75, representando 39,57% da arrecadação. Os números são resultados da movimentação financeira declarada pelas candidaturas e incluem transferências entre prestadores de contas, revelando diferenças importantes conforme o cargo em disputa.
Perfil dos Gastos por Cargo nas Campanhas
A fotografia financeira das campanhas eleitorais em Mato Grosso mostra perfis distintos de gastos entre os cargos. Na disputa pela Câmara dos Deputados, R$ 23,72 milhões foram provenientes de recursos públicos e R$ 4,91 milhões de recursos privados, totalizando R$ 28,64 milhões. Neste caso, o dinheiro público representa cerca de 82,8% da arrecadação das campanhas para deputado federal, indicando uma alta dependência dos recursos públicos nas campanhas para este cargo.
Entre os deputados estaduais, a relação se inverte. As candidaturas movimentaram R$ 10,77 milhões em recursos públicos e R$ 16,57 milhões em recursos privados, alcançando um total de R$ 27,34 milhões. Nesse cenário, os recursos privados representam aproximadamente 60,6% do total. Para a disputa pelo governo, os gastos somam R$ 12,27 milhões, sendo R$ 7,91 milhões em recursos públicos e R$ 4,36 milhões em recursos privados. No Senado, foram R$ 2,53 milhões em verbas públicas e R$ 3,58 milhões em verbas privadas, totalizando R$ 6,11 milhões.
Recursos Públicos nas Campanhas e a Dependência por Cargo
Há, portanto, uma diferença de perfil entre as campanhas. A disputa para deputado federal é a mais dependente de dinheiro público, enquanto a de deputado estadual concentra o maior volume de recursos privados. Essa análise dos recursos públicos nas campanhas destaca como diferentes cargos podem ter fontes de financiamento variadas.
Dinheiro Partidário Concentra Campanhas para o Governo
Na disputa pelo Palácio Paiaguás, os repasses partidários representam uma parcela relevante das receitas declaradas. Wellington Fagundes recebeu aproximadamente R$ 5,99 milhões do PL, além de cerca de R$ 541 mil provenientes de outras fontes. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) recebeu cerca de R$ 3 milhões dos partidos e aproximadamente R$ 2,51 milhões de outras fontes. Já Natasha Slhessarenko recebeu R$ 4,5 milhões do PSD e aproximadamente R$ 89 mil adicionais. É importante notar que os recursos públicos nas campanhas podem ser complementados por outras fontes.
Os números, porém, exigem uma ressalva importante. Repasse partidário não deve ser automaticamente tratado como dinheiro público. O TSE estabelece que os partidos podem utilizar recursos de diferentes origens, incluindo Fundo Partidário, doações de pessoas físicas e outras receitas permitidas. Da mesma forma, a parcela que não veio diretamente da legenda não pode ser chamada automaticamente de “recursos próprios”. Ela pode incluir doações de pessoas físicas e outras modalidades de arrecadação, o que influencia a percepção sobre os recursos públicos nas campanhas.
Leia a reportagem completa na edição de A Gazeta








