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6 de novembro de 2026

Soberania do voto esbarra em desencanto e influência política, diz analista

No 7 de Setembro, a soberania do voto é analisada em período eleitoral, com o eleitor enfrentando desencanto e influência política. A falta de representatividade e a rejeição ideológica contribuem para a abstenção, sentimento percebido em Mato Grosso. O cientista político Vinicius de Carvalho aponta que a independência do eleitor pode ser afetada por estruturas de poder tradicionais, como a máquina pública e o poder econômico, distinguindo-o do voto de ...

Neste 7 de Setembro, quando o Brasil celebra 204 anos de Independência, a ideia de soberania ganha novo significado no comportamento do eleitor em período eleitoral. A soberania do voto é questionada: até que ponto o eleitor se sente independente ou disposto a escolher?

O desencanto com a política, a falta de representatividade e a rejeição ao embate ideológico formam um cenário que pode afastar eleitores das urnas e alimentar altos índices de abstenção. Em Mato Grosso, esse sentimento é percebido nas ruas. Em um ambiente eleitoral saturado, parte do eleitorado oscila entre a descrença nos políticos, a renúncia ao voto e a busca por candidaturas que se apresentam como ‘antissistema’. O desencanto persistente também ajuda a explicar o crescimento da abstenção a longo prazo. A equipe de reportagem do Rdnews foi ao Centro de Cuiabá para medir a temperatura desse eleitorado. Entre os entrevistados, predominou o sentimento de esgotamento. A maioria afirmou não se guiar por ideologia, partido ou nomes tradicionais, e alguns demonstraram desinteresse em comparecer às urnas.

No extremo oposto, uma parcela revelou fidelidade irrestrita a legendas, apontando a sigla partidária como selo automático de confiança, independentemente de quem dispute o pleito. Essa visão já foi defendida publicamente por líderes partidários, como o presidente estadual do PL, Ananias Filho, e o senador Wellington Fagundes, candidato ao Governo, que apostam na força do 22 e no bolsonarismo.

Em análise ao Rdnews, o cientista político Vinicius de Carvalho pondera que a suposta independência do eleitor nem sempre resiste à influência das estruturas tradicionais de poder. Segundo ele, parte dos votos é direcionada pela força da máquina pública e por uma rede que envolve lideranças comunitárias, políticos, empresários, igrejas e outras organizações. Nesse cenário, também entram fatores como o poder econômico e a compra de apoio. No outro extremo, aparecem os votos motivados pela convicção individual ou pelo protesto contra a própria classe política — sentimento que também foi identificado pelo Rdnews durante as entrevistas realizadas nas ruas de Cuiabá.

‘O eleitor mais suscetível à máquina política – [nesse bojo] entra deputado estadual, federal, entra empresa, entra igreja, sindicato, associações de moradores, e toda essa rede entidades que dá esse apoio’ – é mais influenciado: ‘Uma parte é suscetível realmente a dinheiro, estímulos monetários, sabemos que isso existe’, complementa. Já um outro extrato de eleitores vota mais consciente. O chamado ‘voto de opinião’, segundo o analista. ‘É aquele voto mais independente mesmo, um voto consciente, de qualidade, aquele que vota de acordo com a concordância [também sendo compreendido como voto convicto]’, explicou.

Voto de protesto e antissistema

Conforme Vinícius de Carvalho, quando se fala do voto de protesto, que pode ser depositado na urna como branco, nulo ou diante do pleno descontentamento, em candidatos de ‘fora do eixo’, são perceptíveis pela canalização exagerada de votos, principalmente nas candidaturas proporcionais, onde os eleitores escolhem seus representantes no Legislativo. ‘Isso já houve aqui, por exemplo, em Mato Grosso’, indicou. Para exemplificar, ele lembrou o caso da eleição da juíza Selma Arruda, em 2018, eleita senadora por Mato Grosso com a bandeira anticorrupção. Bem como, Nelson Barbudo, que conquistou a cadeira de deputado federal ultrapassando a barreira de 120 mil votos no mesmo ano. Ambos eram desconhecidos da maioria dos eleitores, mas em meio ao descontentamento popular e a crescente ‘onda bolsonarista’, acabaram sendo eleitos.

em eleitores que são dependentes e em algum momento eles acabam achando que um determinado candidato político é antissistema, é o que o bolsonarismo faz com muita maestria. Tem um pé dentro e um pé fora do sistema, o Jair Bolsonaro conseguiu essa proeza. Eram dois governos que ele fazia, um para o jornal e outro para o diário oficial

A Soberania do Voto e os ‘Dois Governos’

Outro campeão em se conectar com esse segmento é o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), desde sua atuação nas redes sociais como vereador de Cuiabá, quando fez oposição ao então prefeito, Emanuel Pinheiro (PSD), e sua passagem pela Câmara dos Deputados. A sua retórica sempre foi de incomodar o sistema e a velha política, medida que se conecta com eleitor que está descontente com a classe política. No cenário macro, responsável por puxar toda uma cadeia ‘antissistema’, embora esteja intrinsecamente inserido como parte do sistema, apontou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segue com seguidores fiéis. ‘Tem eleitores que são dependentes e em algum momento eles acabam achando que um determinado candidato político é antissistema, é o que o bolsonarismo faz com muita maestria. Tem um pé dentro e um pé fora do sistema, o Jair Bolsonaro conseguiu essa proeza. Eram dois governos que ele fazia, um para o jornal e outro para o diário oficial. Era um governo para meios comunicação para as redes sociais, era um negacionista para a mídia, mas no diário ele era pró-vacina’, exemplifica sobre a soberania do voto.

Órfãos, conexão e nomes diferentes

Em um cenário recente na corrida presidencial, o escritor e médico psiquiatra Augusto Cury (Avante) ganhou visibilidade e projeção durante o debate na TV Bandeirantes, onde foi a voz de neutralidade e calmaria frente aos outros dois candidatos que compareceram, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Os líderes nas pesquisas, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), não compareceram. Assim, Cury conseguiu transpor a barreira da TV e chegar às redes sociais como um fenômeno, sendo o nome mais pesquisado do país na internet e alcançando várias bolhas. Assim, os ‘órfãos’ de partidos, políticos e ideologias conseguiram enxergar uma luz no fim do túnel e ele acabou disparando nas pesquisas eleitorais da semana. Se vai conseguir sustentar o feito, só o tempo dirá.

Contexto histórico do 7 de Setembro e a Soberania do Voto

Proclamada em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, por Dom Pedro I, a Independência do Brasil selou a ruptura política definitiva com a Coroa portuguesa, transformando a antiga colônia em um Estado soberano. O movimento deu início à fase do Brasil Império, inaugurando um arranjo monárquico singular na América Latina que, sob a liderança do jovem imperador, buscou garantir a unidade territorial e afirmar a autonomia nacional, aspectos que se relacionam com a ideia de soberania do voto na contemporaneidade.

Fonte: RD News

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