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10 de junho de 2026

Mulheres jovens lideram leitura nas periferias de SP, aponta pesquisa

Estudo da Poiesis revela hábitos de leitura em periferias de SP. Mulheres jovens lideram e mangás dividem espaço com clássicos nas bibliotecas.
Biblioteca, Livros, Estantes de livros. Foto: jarmoluk/PixaBay
Biblioteca, Livros, Estantes de livros. Foto: jarmoluk/PixaBay

Hábitos de leitura periferia SP: uma pesquisa recente da Organização Social Poiesis revelou um panorama interessante sobre a cena literária nas periferias de São Paulo, indicando que mulheres jovens lideram o consumo de livros. O estudo, realizado em oito unidades das Fábricas de Cultura entre janeiro de 2024 e junho de 2025, demonstra um interesse diversificado que desafia estereótipos e reflete a importância desses espaços como polos de acesso à cultura.

O levantamento aponta que 70% do público leitor nas Fábricas de Cultura é composto por mulheres, um percentual superior à média nacional de leitoras, que é de 61%. A pesquisa também revela que a média mensal de empréstimos por biblioteca em 2024 foi de 197, abrangendo uma variedade de gêneros e autores, desde mangás até a literatura negra, LGBTQIAPN+ e indígena, além de clássicos e best-sellers contemporâneos.

O estudo analisou os hábitos de leitura dos frequentadores das bibliotecas das Fábricas de Cultura localizadas em Brasilândia, Capão Redondo, Diadema, Iguape, Jaçanã, Jardim São Luís, Osasco e Vila Nova Cachoeirinha. A análise demonstra uma rica diversidade de interesses. Nas prateleiras desses territórios, sagas japonesas como “One Piece” dividem espaço com contos de horror de Junji Ito, obras de Dostoiévski e Shakespeare.

Diversidade Literária nas Periferias

A pesquisa da Poiesis destaca que o gosto literário nos espaços periféricos não é homogêneo. Em Brasilândia, Iguape e Jardim São Luís, os mangás figuram entre os mais lidos. Autores como Fiódor Dostoiévski (“Noites Brancas”), Virginia Woolf (“Orlando”) e William Shakespeare (“Macbeth” e “Otelo”) também aparecem nas listas de Iguape e Capão Redondo, evidenciando um interesse por diferentes culturas e temas complexos como identidade, preconceito, saúde mental, filosofia e política.

Obras de autores racializados e periféricos, como “Rei de Lata”, de Jefferson Ferreira, e “Olhos d’Água”, de Conceição Evaristo, circulam intensamente em Osasco e Jaçanã, demonstrando a importância de dar voz a essas narrativas.

“Essa riqueza de escolhas reflete o modelo de curadoria coletiva das bibliotecas, em que 38% do acervo é renovado mensalmente a partir de sugestões dos frequentadores, o que favorece a representatividade de vozes negras, indígenas e LGBTQIAPN+”, aponta a pesquisa.

O Protagonismo Feminino e Narrativas de Empoderamento

O protagonismo feminino se destaca nas escolhas literárias, com obras como “Irmã Outsider”, de Audre Lorde, “Canção para menino grande ninar”, de Conceição Evaristo, e “Tudo sobre o amor”, de bell hooks, entre as mais procuradas. Essas escolhas refletem um interesse por narrativas de empoderamento que ecoam as realidades das leitoras.

“As escolhas dos leitores mostram como as Fábricas de Cultura são equipamentos estratégicos para ampliar o acesso ao livro. A diversidade do acervo, com narrativas que representam diferentes experiências, evidencia a potência desse público que encontra programação conectada às suas realidades”, observou a coordenadora Artístico-Pedagógica das bibliotecas, Ifé Rosa.

A pesquisa revela que os Hábitos de leitura periferia SP também incluem best-sellers como “A Biblioteca da Meia-Noite”, de Matt Haig, e “Diário de um Banana”, de Jeff Kinney, que são populares em diversos territórios, como Jardim São Luís, Brasilândia, Iguape, Diadema, Osasco e Vila Nova Cachoeirinha.

Fábricas de Cultura: Espaços de Acesso e Transformação

As Fábricas de Cultura, presentes nas zonas norte e sul de São Paulo, Diadema, Osasco e Iguape, são espaços de acesso gratuito que promovem o conhecimento cultural através de diversas atividades artísticas e formativas. As bibliotecas das Fábricas de Cultura desenvolvem ações culturais que integram a literatura ao cotidiano, tornando-a acessível e transformadora, especialmente para o público da rede pública de ensino.

As oficinas criativas, rodas de conversa, mediações, produções artísticas e debates, que partem do acervo literário, ampliam o repertório cultural dos frequentadores e inserem o livro no centro das experiências vividas nesses espaços.

“Ao conectar as programações com o acervo, as bibliotecas promovem o acesso a diferentes gêneros e estilos literários de forma lúdica, crítica e afetiva. Essa prática ajuda a romper barreiras simbólicas no acesso ao livro e fortalece a leitura como linguagem de desenvolvimento pessoal, criativo e cidadão”, afirmou o analista Artístico-Pedagógico Sênior de Bibliotecas das Fábricas de Cultura, Izaias Junior.

Os espaços atuam como polos de articulação comunitária e centros culturais periféricos. As parcerias com escolas públicas, Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e coletivos locais ampliam o impacto desses equipamentos que, na contramão da elitização de muitos espaços de cultura, reafirmam o direito ao acesso ao livro e à leitura.

Fonte Agencia Brasil

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