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7 de novembro de 2026

Desigualdade: Renda do 0,1% Mais Rico Cresce 6,9% em 6 Anos, Aponta Estudo

Estudo do FiscalData revela que a renda do 0,1% mais rico cresceu cinco vezes mais que a média nacional entre 2017 e 2023.
Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real,Cédulas do real
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Renda 0,1% mais rico no Brasil cresceu cinco vezes mais rápido que a média da população entre 2017 e 2023, revelando um aumento significativo na concentração de renda no país. Um estudo do FiscalData aponta que a parcela mais rica da população, composta por cerca de 160 mil pessoas, viu sua renda real aumentar 6,9% no período, enquanto a média dos brasileiros experimentou um crescimento de apenas 1,4%.

Concentração de Renda Aumenta Significativamente

O estudo, elaborado pelos economistas Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Gobetti, utilizou dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) divulgados pela Receita Federal para analisar a distribuição de renda no Brasil. Os resultados indicam que o 0,1% mais rico detinha 9,1% da renda nacional em 2017, percentual que saltou para 12,5% em 2023.

Ao dividir os contribuintes em diferentes estratos de renda, a pesquisa identificou que o grupo do 0,1% mais rico é composto por indivíduos com renda mensal superior a R$ 146,1 mil, com uma renda média mensal de R$ 516 mil. O estudo também analisou a concentração de renda entre os 0,01% mais ricos do país (cerca de 16 mil pessoas), que viram sua participação na renda nacional aumentar de 4,3% para 6,2% entre 2017 e 2023. A renda média desse grupo é de R$ 2,57 milhões por mês.

Disparidade Acelerada

O levantamento do FiscalData revela que, enquanto a renda do 1% mais rico cresceu 4,4% ao ano entre 2017 e 2023, a economia brasileira expandiu-se a uma taxa de 1,8% ao ano, e a renda das famílias brasileiras como um todo cresceu apenas 1,4% ao ano. Todas as variações foram ajustadas pela inflação do período, que totalizou 49,7%. Esses dados demonstram que a diferença entre a renda 0,1% mais rico e o restante da população se ampliou consideravelmente nos últimos anos.

Dividendos e Juros Impulsionam Enriquecimento

O estudo aponta que o recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) foram os principais impulsionadores do enriquecimento da parcela mais rica da população. No grupo do 1% mais rico, 87,1% do ganho de participação na renda veio desses tipos de rendimento. Já no grupo do 0,1% mais rico, essa porcentagem foi de 66%.

Contraponto aos Dados do IBGE

O artigo divulgado pelo FiscalData contradiz os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam para uma menor diferença entre os maiores e menores rendimentos em 2023, o menor patamar desde 2012. Os autores do estudo explicam que essa divergência ocorre porque o IBGE utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que se baseia na autodeclaração dos entrevistados.

Os pesquisadores argumentam que as pesquisas domiciliares tendem a subestimar a renda, especialmente no topo da distribuição, seja por omissão, seja pelo desconhecimento dos entrevistados quanto à magnitude de seus ganhos, quando se consideram múltiplas fontes de rendimento. Para exemplificar, o estudo indica que o rendimento médio do 0,01% mais rico é superior a R$ 2,5 milhões, enquanto a Pnad estima pouco mais de R$ 200 mil.

Necessidade de Reforma Tributária

Os autores do estudo defendem que políticas de transferência de renda são insuficientes para enfrentar o aumento da concentração de renda no Brasil. Eles propõem uma política tributária mais ativa, que revise tratamentos especiais, como a não taxação de dividendos.

No momento, o Congresso Nacional debate a reforma tributária sobre a renda, com o Projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que prevê isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz parcialmente o imposto para quem recebem até R$ 7 mil. Para compensar a perda de arrecadação, o PL prevê a cobrança de uma alíquota extra progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano.

Fonte Agencia Brasil

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