As buscas pelas crianças desaparecidas Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal (MA), completam 15 dias neste domingo (18). A operação foi reforçada com a chegada de 11 militares da Marinha, que iniciaram uma vistoria na área no sábado (17) utilizando tecnologia avançada, como o side scan sonar, para localizar possíveis objetos submersos na água.
Com o apoio de lancha voadeira e motoaquática, as buscas continuarão no Rio Mearim e no lago. O Capitão Simões, da Capitania dos Portos do Maranhão, informou que a operação com tecnologia avançada começaria na manhã deste domingo (18).
Reforço da Marinha e Tecnologia Avançada nas Buscas
O Capitão Simões afirmou que ‘o objetivo é otimizar as buscas realizadas pelos mergulhadores e bombeiros. O side scan sonar gera imagens detalhadas do fundo do rio, ajudando a identificar qualquer anomalia’. Segundo a Marinha, o side scan sonar funciona como um ‘raio-X’ do fundo do rio, destacando sua eficácia mesmo em águas turvas, independentemente da visibilidade. Esta tecnologia foi utilizada em operações de resgate anteriores, como no desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), e agora é empregada para localizar as crianças desaparecidas.
No sábado (17), a equipe da Marinha realizou um reconhecimento da área para avaliar o local e planejar a operação. O capitão da capitania explicou que as buscas começarão no ponto de interesse identificado, e que ‘a partir do ponto que verificamos, começaremos a varredura e a otimização das buscas no leito e na superfície do rio’.
Outros Reforços e Varredura Terrestre
Na última quarta-feira (15), as buscas no lago da região foram intensificadas, e o Rio Mearim também foi incluído nas operações. Imagens mostram a operação subaquática no rio, próximo à casa onde as crianças teriam passado. A operação recebeu reforço de outros estados na quarta-feira (14) com a chegada de sete bombeiros do Pará, com dois cães farejadores, e outros cinco bombeiros do Ceará, que desembarcaram com mais quatro cães.
O governador Carlos Brandão divulgou a informação de que mergulhadores da Marinha reforçariam as buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal. Ele também afirmou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem ampliado as ações em campo e nas rodovias para ajudar na localização das crianças desaparecidas. O Corpo de Bombeiros informou que as buscas terrestres já fizeram uma varredura em uma área de mata superior a 3,2 km².
Cães Farejadores e a ‘Casa Caída’
Cães farejadores que integram a força-tarefa de busca indicaram que as crianças estiveram em uma casa abandonada à margem do rio Mearim durante as buscas realizadas na quinta-feira (15), informação confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP). Os cães identificaram que os irmãos e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos – resgatado no dia 7 de janeiro – estiveram na residência, chamada pelos policiais de ‘casa caída’, localizada no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal.
A estrutura é um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha, situada no povoado São Raimundo. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, podendo chegar a aproximadamente 12 km considerando obstáculos naturais. O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco.
O secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, afirmou que não havia sinais da presença de outra pessoa e que os cães identificaram exclusivamente o cheiro deixado pelas crianças desaparecidas. Ele explicou que as casas da região são usadas para plantio e pesca, e os donos das casas possuem residência fixa em Bacabal. O ponto foi descrito por Anderson Kauã, que relatou ter chegado ao local com os primos e os deixou na casa enquanto saiu em busca de ajuda. Os cães desceram uma ribanceira e circularam perto do Rio Mearim, e as equipes não encontraram novos vestígios, avançando para um perímetro maior.
Estratégia de Busca por Quadrantes
Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada. O major explicou que ‘estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças desaparecidas não estão ali’. Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados, e dos 45 quadrantes totais, 25 já foram totalmente vistoriados. A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez. Para monitorar as rotas, bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização.
Equipes Envolvidas e Investigações
Cerca de 500 pessoas participam das buscas, incluindo profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários. Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal desde domingo (11) com uma equipe multidisciplinar de psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças desaparecidas.








