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10 de junho de 2026

Investigação aponta seis vereadores que destinaram R$ 5,5 milhões ao Ibrace

Investigações da Polícia Civil, no âmbito da Operação Gorjeta, apontam que seis vereadores de Cuiabá destinaram R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (Ibrace), suspeito de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Vereadores Ibrace: R$ 5,5 milhões em emendas sob investigação
Os vereadores Chico 2000, Luiz Fernando, Kássio Coelho, Wilson Kero Kero, Dídimo Vovô e Lilo Pinheiro: citados pela PolíciaVictor Ostetti/MidiaNews

Investigações da Polícia Civil, no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada na última terça-feira (28), apontam que seis Vereadores Ibrace destinaram R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (Ibrace), suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa. A operação apura o desvio de recursos públicos e a prática dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes.

Vereadores e os Valores Destinados ao Ibrace

Os vereadores de Cuiabá identificados nas investigações são Chico 2000; Luiz Fernando (Republicanos); Kássio Coelho (Podemos); Wilson Kero Kero (PMB); Lilo Pinheiro (PP); e Dídimo Vovô (PSB). Segundo documentos da investigação, o Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu R$ 5.489.787,00 provenientes de emendas desses seis vereadores. Desse total, R$ 350 mil foram destinados pelo vereador Luiz Fernando; R$ 400 mil pelo vereador Kássio Coelho; R$ 317.213,00 em repasses atribuídos aos vereadores Wilson Kero Kero e Lilo Pinheiro; R$ 307 mil exclusivamente de Kero Kero; além de R$ 365.574,00, cujo autor do repasse não foi identificado.

O vereador Chico 2000, principal alvo da operação, aparece como o maior responsável por repasses à entidade. Em transferências individuais, ele teria destinado R$ 3,5 milhões ao instituto. Já em parceria com o vereador Dídimo Vovô, os repasses somam R$ 200 mil. Segundo a Polícia Civil, Chico 2000 foi responsável por aproximadamente 66% do valor total recebido pelo Ibrace, no período compreendido entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025.

O Instituto Brasil Central (Ibrace) e os Repasses

Alvo da operação, o Ibrace é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2021 e com sede em Cuiabá. A entidade recebia as emendas parlamentares para organização de eventos esportivos. Nas redes sociais, o instituto afirma ter como objetivo promover a cidadania, a inclusão social e o fortalecimento comunitário, por meio de ações sociais, esportivas, culturais e educacionais, além da defesa de direitos sociais.

A estrutura administrativa do Ibrace é composta pelo presidente Alex Jony Silva, que foi alvo da operação, pelo secretário Valdomiro Everson Rigolin e pelo tesoureiro Joaci Conceição Silva. O conselho fiscal é formado por Osvaldo de Souza Brito, Suzana Parreira Oliveira e Eleuza Maria da Silva. Apesar de não constar formalmente no quadro de associados do instituto, os policiais ressaltaram a atuação de João Nery Chiroli, que, segundo as investigações, representava informalmente o Ibrace e organizava os eventos esportivos. Chirolli é outro dos alvos da operação.

Detalhes das Investigações sobre os Vereadores Ibrace

Entre os valores que chamaram a atenção dos investigadores está o repasse de R$ 600 mil, realizado em 4 de abril de 2025, para a organização da 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Cinco dias depois, em 9 de abril de 2025, Chico 2000 destinou mais R$ 400 mil ao instituto, também por emenda impositiva, para a realização da 6ª Corrida do Legislativo.

Um trecho do documento de investigação afirma: ‘O vereador Chico 2000 destinou elevados valores, por meio de emendas impositivas, para o instituto Ibrace realizar eventos (corridas) em Cuiabá. No entanto, do conteúdo extraído, verifica-se que o organizador de fato dos eventos era a empresa Chiroli Esportes, por meio de seu proprietário João Nery Chiroli, que informalmente representava o instituto IBRACE’.

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em 9 de abril de 2025, mesma data do repasse de R$ 400 mil realizado por Chico 2000 ao instituto. Nesse dia, João Nery Chiroli, por meio de transferência via PIX, encaminhou R$ 20 mil à construtora responsável por uma obra vinculada ao vereador, localizada em Chapada dos Guimarães. O documento de investigação também aponta: ‘Cientes dessas datas de pagamento e das conversas entre ‘Chiroli’ e ‘Chico 2000′, causou estranheza o fato de Chiroli, por meio da empresa Chiroli Esportes, ser o organizador dos eventos e, ao mesmo tempo, atuar em procedimentos de interesse do Ibrace, mesmo sem integrar formalmente os quadros da associação’.

Fonte: Midia News

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