O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) transformou a forma como conteúdos são produzidos, consumidos e compartilhados. Nas Deepfakes Eleições de 2026 em Mato Grosso, esse cenário trouxe ganhos de eficiência para as campanhas, mas também acendeu um sinal de alerta: o uso de deepfakes. Os chamados deepfakes são caracterizados por conteúdos sintéticos capazes de simular vozes, rostos e comportamentos reais. Especialistas expressam preocupação com a capacidade dos deepfakes de serem usados como ferramenta de desinformação política.
Para o jornalista e marqueteiro Kleber Lima, o maior perigo não reside no uso de inteligência artificial no horário eleitoral ou nos canais oficiais dos candidatos. Ele aponta a circulação informal desses conteúdos, como disparos de massa via WhatsApp, como mais difícil de coibir. Lima considera ‘assustador o uso da IA de forma degenerativa, principalmente, na produção de vídeos, na imitação de vozes, de imagens, o que ela pode fazer’. Apesar de reconhecer o lado positivo da IA para otimizar tempo e acelerar a produção de conteúdo nos bastidores das campanhas, o marqueteiro admite temer a crescente profissionalização das produções amadoras. Ele acrescenta que a tecnologia sempre provoca distorções pelo uso ilegal, e que o uso da IA é ‘assustador especialmente para ataques e desconstrução de candidatos’. No entanto, Lima confia que a Justiça Eleitoral está mais preparada para esses desafios do que em 2018, quando o uso ostensivo da internet na política surgiu.
O pesquisador e marqueteiro político Pedro Pinto de Oliveira reforça que a inteligência artificial já integrava as campanhas de forma legítima há anos. Segundo ele, a IA era utilizada para ajustar letra de jingle, melhorar imagem e agilizar edição de vídeo, o que é considerado normal. A complicação, conforme Oliveira, ocorre no uso da inteligência artificial para a desinformação, para o ataque criminoso e para deturpar fatos, um cenário que impacta diretamente as Deepfakes Eleições.
Deepfakes Eleições: Armadilha Política e Diálogo
Apesar da utilidade da IA para agilizar alguns processos, Pedro Pinto de Oliveira afirma que políticos que tentarem amparar suas campanhas no uso irregular dessa ferramenta não devem ter o retorno esperado. Ele explica que ‘um candidato que se sustenta na desinformação, em deepfake, na mentira, mais cedo ou mais tarde acaba dando tiro no pé’, pois o cidadão busca saber o que o candidato tem a apresentar para melhorar sua vida e a da família. Na mesma linha, Kleber Lima concorda que nenhuma tecnologia é capaz de superar o diálogo e a conexão real entre um candidato e seu eleitor. Para Lima, ‘o grande diferencial da campanha ainda é, como sempre foi, aquele candidato que tem mais competência em dialogar de maneira honesta, transparente e verdadeira com os eleitores’, discutindo aquilo que eles realmente sofrem, sentem na pele e almejam que mude.
Facilidade de Acesso e Viralização de Deepfakes
Se antes esse tipo de tecnologia era restrito aos profissionais, hoje ela está ao alcance de qualquer pessoa com um celular, sem a necessidade de ser especialista para gerar conteúdo forjado. A pesquisadora Michele Marta Moraes Castro, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que estuda o tema no Programa de Pós-Graduação em Educação, explica que ‘o deepfake deixou de ser uma curiosidade tecnológica e passou a ser de uso em massa’. Ela complementa que usuários conseguem gerar um deepfake usando softwares gratuitos, sem precisar entender de redes neurais ou processamento de dados. Em entrevista, a pesquisadora detalhou que o deepfake não é um formato específico, mas uma técnica que permite criar conteúdos artificiais extremamente realistas, podendo aparecer em vídeos, áudios ou imagens, todos com potencial de impacto político. Michele afirma que ‘vídeos e áudios costumam ser os mais virais porque ativam confiança e emoção. A pessoa sente que ‘viu’ ou ‘ouviu’ a prova. Imagens manipuladas tem enorme poder de viralização, especialmente em grupos de WhatsApp, porque são rápidas de consumir e fáceis de compartilhar’. O problema se agrava porque identificar um conteúdo falso feito por IA está cada vez mais difícil na prática, o que representa um desafio para as Deepfakes Eleições. A pesquisadora explica que ‘o cidadão comum não analisa como um especialista. Ele confia em quem enviou. O deepfake explora exatamente esses atalhos cognitivos. Pequenas falhas técnicas, como sombras estranhas ou movimentos artificiais, passam despercebidas em meio ao consumo acelerado nas redes sociais’.
Uso Ético e Riscos dos Deepfakes
Apesar dos riscos, especialistas rejeitam a visão simplista de que os deepfakes, por si só, representam uma ameaça inevitável à democracia. O professor Cristiano Maciel, pesquisador do Instituto de Computação da UFMT, aponta que a tecnologia também possui usos legítimos e éticos. Ele menciona iniciativas acadêmicas que investigam o uso ético da tecnologia, como recriações culturais e narrativas históricas. Maciel afirma que ‘não existe consenso de que deepfakes são sempre uma ameaça. Eles já eram usados em arte, publicidade, educação, museus e até projetos de memória. Hoje escolas e museus já fazem uso de deepfake ético de personalidades educacionais, o que é positivo e conecta melhor as pessoas com as personalidade’. Michele Marta Moraes Castro reforça essa visão, mas faz uma distinção central: ‘O risco não está na tecnologia em si, mas quando ela é usada deliberadamente para enganar, fabricar provas falsas ou manipular o debate público’. Nesse contexto, o deepfake ‘corrói a confiança coletiva e dificulta qualquer acordo mínimo sobre o que é fato’.
Proteção contra Deepfakes Eleições: O Tripé da Prevenção
Sobre a prevenção, os pesquisadores são unânimes ao afirmar que nenhuma medida isolada resolve o problema do uso indevido dessa tecnologia. Michele Marta Moraes Castro resume a estratégia como um tripé: ‘Educação midiática cria proteção de longo prazo, repressão é necessária nos casos graves e a transparência algorítmica ataca o problema da escala’. Para proteger as eleições de 2026, o consenso entre pesquisadores e marqueteiros é de que uma resposta coordenada é fundamental, incluindo atuação rápida da Justiça, integração com plataformas digitais, preservação de provas e campanhas mais transparentes. Em um cenário de tecnologia cada vez mais sofisticada, a democracia, segundo eles, depende menos de algoritmos e mais da capacidade de reação institucional e da valorização do debate honesto como eixo central da disputa política. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou um canal específico para denúncias de desinformação envolvendo IA, reforçando a necessidade de vigilância nas Deepfakes Eleições, mas os especialistas alertam que a responsabilidade não pode recair apenas sobre o cidadão. Cristiano Maciel afirma que ‘as pessoas trabalham, cuidam da vida e consomem conteúdo rápido. Não dá para colocar nelas o peso de consertar o sistema’.








