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10 de junho de 2026

Dois policiais penais são presos em operação contra venda de celulares em presídio

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso resultou na prisão de dois policiais penais, desarticulando um esquema de corrupção e comércio ilegal de celulares em uma unidade prisional. A investigação aponta o envolvimento de seis pessoas, incluindo servidores, reeducandos e a esposa de um preso. Foram cumpridas seis ordens de prisão temporária e quatro de busca e apreensão.
Venda de celulares em presídio: policiais penais são presos
Reprodução

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso resultou na prisão de dois policiais penais, desarticulando um complexo esquema de corrupção e comércio ilegal de aparelhos celulares dentro de uma unidade prisional no estado. A investigação minuciosa aponta para o envolvimento de um grupo de pelo menos seis pessoas neste esquema de venda de celulares em presídio, que inclui não apenas servidores públicos, mas também reeducandos e até mesmo a esposa de um dos detentos.

Conforme informações divulgadas pela assessoria de imprensa do órgão responsável, a operação cumpriu um total de seis ordens de prisão temporária, visando os principais envolvidos, e quatro mandados de busca e apreensão. Essas ações foram fundamentadas em investigações aprofundadas, conduzidas de forma conjunta pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRECO), ambas da Polícia Civil de Mato Grosso.

Desvendando o Esquema de Corrupção e a Venda de Celulares em Presídio

A apuração policial revelou a existência de um esquema criminoso meticulosamente estruturado para facilitar a entrada clandestina de aparelhos celulares no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, localizado na cidade de Várzea Grande. Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus-MT), por intermédio de sua Corregedoria-Geral, está acompanhando de perto o cumprimento de todos os mandados judiciais. A Sejus-MT informou, ainda, que adotará prontamente todas as medidas administrativas cabíveis e necessárias em relação à conduta dos servidores que estão sendo investigados.

As investigações detalharam um modus operandi estruturado e contínuo para a entrada e posterior venda de celulares em presídio. Segundo os levantamentos da Polícia Civil, os policiais penais envolvidos aproveitavam-se de seu livre acesso e trânsito irrestrito dentro da unidade prisional para introduzir os aparelhos de forma ilícita. Uma vez dentro do presídio, os celulares eram repassados a detentos que pagavam valores significativos, que variavam entre R$ 400 e R$ 800 por cada unidade.

A logística do esquema demonstrava organização: em seus dias de folga, os agentes policiais buscavam os aparelhos diretamente com fornecedores externos. Após a aquisição, os celulares eram cuidadosamente escondidos em pontos estratégicos e previamente definidos dentro da unidade prisional. Um dos presos, que possuía acesso liberado a diversas áreas internas do presídio, era o encarregado de recolher esses aparelhos e, posteriormente, entregá-los aos detentos que haviam efetuado a compra.

Um reeducando foi identificado como o coordenador-chave de todo o esquema. Sua função era organizar a distribuição dos celulares entre os presos compradores e, crucialmente, realizar o repasse do dinheiro arrecadado aos policiais penais que participavam da rede de corrupção. A operação policial conseguiu descobrir que, em algumas ocasiões, o volume de aparelhos introduzidos na unidade prisional chegava a impressionantes oito celulares de uma só vez, evidenciando a escala da atividade criminosa.

Riscos à Segurança e as Acusações da Operação

De acordo com as declarações do delegado Marlon Luz, que é o responsável direto pelas investigações, o principal objetivo das medidas judiciais e policiais é impedir a continuidade imediata do esquema criminoso. Além disso, a operação visa reunir novas e robustas provas, bem como identificar outros possíveis indivíduos que possam estar envolvidos na rede de corrupção. O delegado enfatizou a gravidade da situação, destacando que ‘o ingresso de celulares em presídios é uma das principais formas que criminosos e faccionados utilizam para ordenar e promover crimes de dentro das unidades. Essa operação busca cortar o problema na raiz’, afirmou.

A investigação em curso apura uma série de crimes graves, incluindo associação criminosa, corrupção passiva majorada e ingresso ilegal de telefone em unidade prisional. Todas essas acusações estão diretamente relacionadas ao esquema de venda de celulares em presídio e à corrupção sistêmica desmantelada pela Polícia Civil.

O Significado do Nome da Operação: ‘Via Paralela’

O nome escolhido para a operação, ‘Via Paralela’, carrega um significado simbólico e direto. Ele faz referência explícita à forma clandestina e totalmente ilegal que os investigados utilizavam para conceder benefícios indevidos a presos. Essa ‘via paralela’ contornava e desrespeitava abertamente todas as vias legais, os protocolos e os procedimentos estabelecidos pelo sistema prisional, criando um sistema à parte, baseado na ilegalidade e na corrupção. A denominação sublinha a natureza desviante e ilícita das ações descobertas.

Fonte: Gazeta Digital

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