Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso resultou na prisão de dois policiais penais, desarticulando um complexo esquema de corrupção e comércio ilegal de aparelhos celulares dentro de uma unidade prisional no estado. A investigação minuciosa aponta para o envolvimento de um grupo de pelo menos seis pessoas neste esquema de venda de celulares em presídio, que inclui não apenas servidores públicos, mas também reeducandos e até mesmo a esposa de um dos detentos.
Conforme informações divulgadas pela assessoria de imprensa do órgão responsável, a operação cumpriu um total de seis ordens de prisão temporária, visando os principais envolvidos, e quatro mandados de busca e apreensão. Essas ações foram fundamentadas em investigações aprofundadas, conduzidas de forma conjunta pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRECO), ambas da Polícia Civil de Mato Grosso.
Desvendando o Esquema de Corrupção e a Venda de Celulares em Presídio
A apuração policial revelou a existência de um esquema criminoso meticulosamente estruturado para facilitar a entrada clandestina de aparelhos celulares no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, localizado na cidade de Várzea Grande. Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus-MT), por intermédio de sua Corregedoria-Geral, está acompanhando de perto o cumprimento de todos os mandados judiciais. A Sejus-MT informou, ainda, que adotará prontamente todas as medidas administrativas cabíveis e necessárias em relação à conduta dos servidores que estão sendo investigados.
As investigações detalharam um modus operandi estruturado e contínuo para a entrada e posterior venda de celulares em presídio. Segundo os levantamentos da Polícia Civil, os policiais penais envolvidos aproveitavam-se de seu livre acesso e trânsito irrestrito dentro da unidade prisional para introduzir os aparelhos de forma ilícita. Uma vez dentro do presídio, os celulares eram repassados a detentos que pagavam valores significativos, que variavam entre R$ 400 e R$ 800 por cada unidade.
A logística do esquema demonstrava organização: em seus dias de folga, os agentes policiais buscavam os aparelhos diretamente com fornecedores externos. Após a aquisição, os celulares eram cuidadosamente escondidos em pontos estratégicos e previamente definidos dentro da unidade prisional. Um dos presos, que possuía acesso liberado a diversas áreas internas do presídio, era o encarregado de recolher esses aparelhos e, posteriormente, entregá-los aos detentos que haviam efetuado a compra.
Um reeducando foi identificado como o coordenador-chave de todo o esquema. Sua função era organizar a distribuição dos celulares entre os presos compradores e, crucialmente, realizar o repasse do dinheiro arrecadado aos policiais penais que participavam da rede de corrupção. A operação policial conseguiu descobrir que, em algumas ocasiões, o volume de aparelhos introduzidos na unidade prisional chegava a impressionantes oito celulares de uma só vez, evidenciando a escala da atividade criminosa.
Riscos à Segurança e as Acusações da Operação
De acordo com as declarações do delegado Marlon Luz, que é o responsável direto pelas investigações, o principal objetivo das medidas judiciais e policiais é impedir a continuidade imediata do esquema criminoso. Além disso, a operação visa reunir novas e robustas provas, bem como identificar outros possíveis indivíduos que possam estar envolvidos na rede de corrupção. O delegado enfatizou a gravidade da situação, destacando que ‘o ingresso de celulares em presídios é uma das principais formas que criminosos e faccionados utilizam para ordenar e promover crimes de dentro das unidades. Essa operação busca cortar o problema na raiz’, afirmou.
A investigação em curso apura uma série de crimes graves, incluindo associação criminosa, corrupção passiva majorada e ingresso ilegal de telefone em unidade prisional. Todas essas acusações estão diretamente relacionadas ao esquema de venda de celulares em presídio e à corrupção sistêmica desmantelada pela Polícia Civil.
O Significado do Nome da Operação: ‘Via Paralela’
O nome escolhido para a operação, ‘Via Paralela’, carrega um significado simbólico e direto. Ele faz referência explícita à forma clandestina e totalmente ilegal que os investigados utilizavam para conceder benefícios indevidos a presos. Essa ‘via paralela’ contornava e desrespeitava abertamente todas as vias legais, os protocolos e os procedimentos estabelecidos pelo sistema prisional, criando um sistema à parte, baseado na ilegalidade e na corrupção. A denominação sublinha a natureza desviante e ilícita das ações descobertas.








