A Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação Thunderstruck, visando desarticular um grupo criminoso envolvido em golpes de vendas de veículos pela internet. A ação resultou no cumprimento de 39 ordens judiciais contra os investigados.
As ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Garantias de Cuiabá, incluíram 12 mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão domiciliar e 12 bloqueios de contas bancárias. Cada bloqueio foi no valor de R$ 120 mil, totalizando mais de R$ 1,4 milhão em valores constritos, evidenciando a dimensão dos golpes de vendas de veículos.
Detalhes da Operação Thunderstruck
Todas as ordens judiciais foram cumpridas no estado de São Paulo, simultaneamente em diversas cidades. As localidades abrangidas pela operação foram Osasco, São Bernardo do Campo, Itanhaém, Santo André, São Caetano, Diadema, além da capital São Paulo.
A investigação que culminou na Operação Thunderstruck é conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. O delegado Bruno Mendo Palmiro é o coordenador da investigação e foi o responsável por representar pelas ordens judiciais contra os indivíduos investigados, que atuavam nos golpes de vendas de veículos.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026. Ela faz parte da Operação Pharus, que se insere no programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas, uma iniciativa do Governo do Estado.
Investigação e a Dinâmica dos Golpes de Vendas de Veículos
A investigação teve início após o registro de um boletim de ocorrência por uma vítima residente em Cuiabá. A vítima relatou ter sido enganada ao tentar adquirir um veículo que havia sido anunciado em uma plataforma na internet, caracterizando um dos golpes de vendas de veículos.
Conforme apurado durante a investigação, o principal investigado utilizava uma identidade falsa. Ele construía uma narrativa persuasiva que envolvia um suposto sinistro com uma transportadora, um acordo indenizatório e uma necessidade urgente de venda do veículo. Essa estratégia criava uma aparência de legitimidade para atrair as vítimas, facilitando os golpes de vendas de veículos.
Durante as tratativas para a compra do veículo, a vítima foi contatada por diversos interlocutores. Estes indivíduos utilizavam números de telefone distintos e alternavam-se nas funções de vendedor, representante de transportadora e funcionário de concessionária, complexificando a dinâmica dos golpes de vendas de veículos.
Após o envio de comprovantes e um suposto termo de quitação em papel timbrado referente à compra do veículo, a vítima realizou uma transferência bancária. O valor transferido pelo veículo foi de R$ 120 mil.
O Processo de Pulverização Financeira
O delegado Bruno Mendo Palmiro, responsável pelas investigações, explicou que a quebra de sigilo bancário e telemático, deferida judicialmente, foi crucial. Essa medida possibilitou a reconstrução do fluxo financeiro do valor transferido pela vítima.
Foi identificado que o valor foi imediatamente submetido a um processo de pulverização, conhecido como ‘smurfing’. Este processo envolve o fracionamento do montante em diversas operações de pequeno porte e repasses sucessivos a múltiplos beneficiários, dificultando o rastreamento do dinheiro proveniente dos golpes de vendas de veículos.
O delegado Palmiro destacou que ‘a dinâmica evidencia atuação estruturada, com divisão de tarefas e utilização de contas de passagem para dificultar o rastreamento dos valores, característica típica de grupos especializados em estelionatos eletrônicos’.
Significado do Nome da Operação
O nome da operação, Thunderstruck, significa ‘atingido pelo trovão’. Como adjetivo, descreve o estado de estar atordoado. Esse nome reflete o objetivo da operação, que atinge alvos em sete cidades do estado de São Paulo.








