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15 de junho de 2026

Fapemat apoia desenvolvimento de fertilizante de cinza vegetal em Rondonópolis

Pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), desenvolvem fertilizantes organominerais a partir de cinzas de biomassa vegetal. Este fertilizante de cinza vegetal transforma um resíduo agroindustrial em solução para a agricultura sustentável, melhorando a fertilidade do solo e reduzindo a dependência de fertilizantes minerais. A iniciativa, coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, busca unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional. Os estudos apontam benefícios agronômicos e ambientais, com reconhecimento científico nacional e internacional.
Fertilizante de cinza vegetal: UFR desenvolve solução em Rondonópolis
Aplicação dos organominerais no solo para experimentos de campo. - Foto por: Arquivo/Pesquisadora

Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo um fertilizante de cinza vegetal organomineral. Este material é produzido a partir de cinzas de biomassa vegetal, geradas principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais na região.

A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região. O objetivo é transformar este resíduo em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais. Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). Ela integra os projetos ‘Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima’ e ‘Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima’. Ambos são financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e contam com parceria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional. ‘Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região’, destaca Edna Bonfim.

Mais de uma década de pesquisa com fertilizante de cinza vegetal

A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS). Este grupo desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos. Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais. Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.

Benefícios ambientais e econômicos do fertilizante

O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor. A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.

Reconhecimento científico e impacto

De acordo com a coordenadora do projeto, ‘a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis’.

Fonte: Secon/MT

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