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23 de outubro de 2026

Estudo revela impacto da atividade humana nas emissões de carbono na Amazônia

Um estudo de 15 anos, liderado por Luciana Gatti do Inpe, revelou que as emissões de dióxido de carbono e monóxido de carbono na Amazônia são predominantemente causadas por atividades humanas, como desmatamento e queimadas. A pesquisa analisou dados de 2010 a 2024, classificando-os em grupos conforme condições climáticas e intensidade das ações humanas. Os resultados indicam que anos com maior atividade humana registraram as maiores emissões.
Atividade humana na Amazônia impulsiona emissões de carbono
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Um estudo abrangente, que analisou 15 anos de medições do fluxo de dióxido de carbono (CO₂) e monóxido de carbono (CO) na Amazônia, concluiu que as emissões desses gases são predominantemente impulsionadas por atividades humanas. Práticas como o desmatamento e as queimadas foram identificadas como as principais causas, conforme a pesquisa.

Metodologia da Pesquisa

Liderado pela renomada pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo classificou dados coletados entre os anos de 2010 e 2024. As informações foram organizadas em três grupos distintos, considerando as condições climáticas, a intensidade das atividades humanas e os volumes de emissões registrados anualmente. Ao agrupar os anos com características semelhantes, os pesquisadores estabeleceram os seguintes perfis:

  • Grupo 1 (2011–2014, 2017 e 2018): Caracterizado por anos mais úmidos, com baixa ocorrência de atividades humanas que contribuem para as emissões, como desmatamento, queimadas e degradação florestal.
  • Grupo 2 (2019–2022): Compreende anos com baixo estresse climático, mas que registraram uma intensificação das atividades humanas, notadamente o desmatamento e a degradação ambiental.
  • Grupo 3 (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024): Inclui anos quentes e secos, marcados por alto estresse climático e, simultaneamente, pela intensificação das atividades humanas na região.

Os resultados do balanço médio de carbono emitido entre esses três grupos foram significativos. O Grupo 1 apresentou uma média de 408 milhões de toneladas de CO₂ ao ano. Já o Grupo 2 registrou 1,58 bilhão de toneladas anuais, enquanto o Grupo 3 alcançou 1,80 bilhão de toneladas de CO₂ por ano. Esses números demonstram claramente que, nos períodos em que a atividade humana, como o desmatamento e as queimadas na Amazônia, foi mais intensa, as emissões de carbono foram substancialmente maiores. O estudo enfatiza que “É importante notar que os grupos 2 e 3 não diferem significativamente em emissões de carbono, sendo ambos dominados pelo desmatamento e pela queima de biomassa, respectivamente”. Além disso, os dados revelaram que, embora o estresse climático não seja o fator decisivo para o aumento das emissões, períodos de seca podem amplificar consideravelmente o volume de carbono liberado pelas atividades humanas.

Impacto das Mudanças Climáticas

Ampliar a análise para um período de 46 anos, investigando as condições climáticas e a atividade humana na Amazônia, permitiu aos pesquisadores identificar tendências preocupantes. Foi constatada uma redução de 8% na média anual de precipitação. Adicionalmente, observou-se uma diminuição de 20% no volume máximo de chuvas durante a estação seca, que ocorre de agosto a novembro. No mesmo período de 46 anos, a temperatura média anual na região aumentou 1,13 °C. Na estação seca, esse aumento foi ainda mais acentuado, atingindo 1,81 °C. É notável que esse aquecimento ocorreu mesmo sem variação no grau de energia solar recebida e devolvida à atmosfera ao longo dos anos medidos. Esse fato reforça a conclusão de que as atividades humanas diretas representam os principais riscos para a integridade da Amazônia e seu equilíbrio climático. Os pesquisadores destacam que “A redução drástica dos incêndios é, portanto, essencial para evitar um ponto de inflexão, especialmente porque o aumento do estresse climático amplifica os impactos humanos, e vice-versa”.

Publicação e Relevância

O estudo, que contou com a colaboração de outros 32 pesquisadores, foi publicado em uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, a Nature. O título da pesquisa é Emissões de Carbono da Amazônia Causadas pelas Ações Humanas e Amplificadas pelas Secas (Amazon carbon emissions driven by human actions amplified by droughts). Esta é a quarta vez que uma pesquisa liderada por Luciana Gatti é publicada neste importante periódico internacional, sublinhando a relevância e o impacto de seu trabalho. A compreensão desses mecanismos é fundamental para o desenvolvimento de políticas eficazes de conservação e combate às mudanças climáticas na região amazônica e globalmente. Iniciativas como a plataforma pan-amazônica que reúne políticas públicas para bioeconomia podem ser um caminho. A atenção a esses dados é crucial, especialmente ao considerar que, apesar de quedas recentes, o desmatamento ainda é um desafio, embora o MapBiomas tenha registrado o menor nível em 41 anos em alguns períodos.

Fonte: Agência Brasil

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