A empresária Magali Gauna Felismino Chiroli, proprietária da Chiroli Uniformes, recebeu nove transferências bancárias que somam R$ 178 mil da empresa Chiroli Esportes, pertencente ao seu marido, João Nery Chiroli. Ambos são alvos da Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27), que apura o desvio de emendas parlamentares do vereador Chico 2000 (sem partido).
A Chiroli Uniformes: Empresa Sem Sede
Segundo a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), a Chiroli Uniformes ‘não existe fisicamente’, ou seja, não tem sede. O endereço cadastrado na Junta Comercial fica na Avenida XV de Novembro, nº 423, em Cuiabá, local onde estava instalada uma agência da Caixa Econômica Federal. O relatório da investigação aponta que a Chiroli Uniformes ‘se trata de uma empresa que não existe fisicamente, e que se utiliza de proposital confusão com a operação da Chiroli Esportes (Sem Limite Esporte e Eventos Ltda) em sua apresentação pública, o que indica se tratar de pessoa jurídica que existe apenas formalmente’. Este mesmo endereço foi comunicado pela empresa à Cooperativa Sicoob, onde a Sem Limite Esporte e Eventos Ltda possui conta-corrente ativa, administrada por João Nery Chiroli e que possui relação com a Chiroli Uniformes Ltda.
Suspeitas de Esquema e Valores Envolvidos
As investigações apontam que o dinheiro das emendas impositivas era oficialmente destinado ao Instituto Brasil Central (Ibrace), sob a justificativa de custear eventos esportivos. Na prática, a empresa Chiroli Esportes, comandada por João Chiroli, era quem realmente organizava e executava esses eventos. João Chiroli, segundo a apuração, representava informalmente o Ibrace e posteriormente pulverizava os valores recebidos. No total, o Instituto recebeu R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares de seis vereadores, sendo R$ 3,5 milhões provenientes de Chico 2000.
Movimentações Financeiras da Chiroli Uniformes
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou as nove transferências feitas para a empresa de Magali, a Chiroli Uniformes, que ocorreram entre 1 e 30 de abril de 2025. Conforme o relatório, as movimentações financeiras foram reunidas em dois agrupamentos. O primeiro identificou sete transferências da Chiroli Esportes à Chiroli Uniformes, totalizando R$ 108 mil. O segundo agrupamento registrou duas transferências, também da Chiroli Esportes para a Chiroli Uniformes, que somaram R$ 70 mil. O montante total das nove operações é de R$ 178 mil.
Desdobramentos da Operação Gorjeta
A Operação Gorjeta cumpriu 75 ordens judiciais, que incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis. Foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis. Chico 2000 foi afastado do cargo de vereador. O magistrado também determinou a suspensão da função pública de Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador, e de Joacyr Conceição Silva, assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV). A operação proibiu Chico 2000, João Chiroli e sua esposa, Magali Chiroli, Alex Silva, Rubens Vuolo e Joacyr Silva de acessarem as dependências da Câmara Municipal de Cuiabá, da Secretaria Municipal de Esportes e da sede do Ibrace. Eles também foram proibidos de manterem contato entre si, por qualquer meio de comunicação, e com as testemunhas do caso. Outro investigado na operação é o presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva.








