A Espanha recusou oficialmente o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o Conselho da Paz, uma estrutura criada por Trump. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que justificou a decisão com base na coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo. Sánchez também criticou a ausência da Autoridade Palestina no conselho.
A Recusa da Espanha e o Conselho da Paz
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursou em coletiva de imprensa após participar de uma cúpula especial de líderes da União Europeia, onde confirmou a recusa. ‘Agradecemos o convite, mas recusamos’, afirmou Sánchez, adicionando a Espanha à lista de países que declinaram a participação. O Conselho da Paz foi concebido por Trump para monitorar a paz na Faixa de Gaza e em outras regiões do mundo, além de coordenar a reconstrução do território palestino. Parte da diplomacia mundial vê a criação do conselho como uma tentativa de esvaziar a ONU, o principal órgão multilateral global.
Lançamento do Conselho da Paz em Davos
O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Donald Trump em 22 de janeiro de 2026, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Na ocasião, Trump apresentou um plano para reconstruir a Faixa de Gaza. Ele afirmou que seu conselho terá aval ‘para fazer tudo o que quisermos’ não só em Gaza, e que fará isso ‘em conjunto com as Nações Unidas’. Trump será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto. O plano de reconstrução foi chamado de ‘Nova Gaza’.
Cerca de 60 países foram convidados por Trump para participar do conselho. Aproximadamente 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram o convite estiveram presentes na cerimônia de lançamento, incluindo o presidente argentino, Javier Milei. Nenhum grande aliado ocidental participou do lançamento. O presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite.
Países que Aceitaram, Recusaram e Não Responderam
A lista de países que farão parte do Conselho da Paz inclui Armênia, Arábia Saudita, Argentina, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bulgária, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.
Já declararam que não vão aderir ao órgão: França, Noruega, Eslovênia, Suécia e Espanha.
Países que ainda não responderam ao convite de Trump são: Brasil, Reino Unido, China, Croácia, Alemanha, Itália, Rússia, Singapura e Ucrânia.
Estrutura e Poderes do Conselho
A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas em outubro do ano passado. O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, contém 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, supervisionado pelo conselho.
A Casa Branca anunciou que a entidade ‘ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza’. Donald Trump será o presidente inaugural, com amplos poderes, incluindo a palavra final em votações, a escolha de países convidados e a revogação de participações. O projeto de estatuto do conselho estabelece que os Estados-membros cumprirão mandatos de no máximo três anos, renováveis pelo presidente. Contudo, este mandato de três anos não se aplica a Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o conselho no primeiro ano.








