O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou nesta sexta-feira (23) que o governo Trump assegure o respeito aos direitos individuais e ao direito internacional em suas políticas migratórias. A manifestação da autoridade ocorre em meio a preocupações citadas sobre prisões e detenções consideradas arbitrárias e ilegais, marcando um posicionamento firme da entidade internacional frente às operações em curso nos Estados Unidos.
Críticas da ONU ao governo Trump
Türk denunciou o que classificou como ‘abusos rotineiros’ cometidos por autoridades norte-americanas contra migrantes e refugiados. O comissário pediu que Washington encerre imediatamente práticas que, segundo ele, estão destruindo famílias, e condenou a representação desumanizante e o tratamento prejudicial dispensado a esses grupos. De acordo com o comunicado oficial, indivíduos estão sendo vigiados e detidos, por vezes de maneira violenta, em locais como hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, mercados, escolas e até dentro de suas próprias casas.
As detenções ocorrem, muitas vezes, apenas sob a simples suspeita de os indivíduos serem migrantes sem documentação. Türk declarou estar estupefato com a rotina de abusos e com a difamação sofrida por essas pessoas. Ele enfatizou que o governo Trump precisa cumprir o direito internacional e garantir que a aplicação das leis respeite o devido processo legal, demonstrando preocupação com casos em que detidos não tiveram acesso oportuno a orientação jurídica.
O caso de Liam Conejo Ramos e as operações
Um dos episódios que ilustra a gravidade da situação ocorreu na terça-feira (20), quando um menino de 5 anos, identificado como Liam Conejo Ramos, foi detido por agentes de imigração durante uma operação em Minneapolis. Segundo autoridades educacionais da cidade, a criança teria sido usada como ‘isca’ para verificar a presença de outras pessoas em uma casa. O menino foi abordado junto com o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, na porta de sua residência, quando voltava da escola.
Conforme informações do advogado da família, pai e filho foram levados para um centro de detenção no Texas. A repressão à imigração liderada pelo governo Trump mobilizou cerca de 3 mil agentes federais para Minneapolis. Esses agentes, descritos como fortemente armados e mascarados, têm como missão prender suspeitos considerados infratores perigosos das leis de imigração, mas as operações acabam detendo também cidadãos americanos e imigrantes que cumprem a lei.
Investigação de mortes e a defesa do governo Trump
A tensão na cidade foi agravada após um agente de imigração ter atirado e matado Renee Good, uma cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, no dia 7 de janeiro. Em resposta às críticas, o vice-presidente JD Vance fez uma defesa ampla das ações na quinta-feira, afirmando que ‘agitadores da extrema esquerda’ e autoridades locais que não cooperam são os responsáveis pelo caos. Apesar dos argumentos do governo Trump, Türk afirmou que as operações têm usado o que parece ser força desnecessária ou desproporcional.
O chefe de direitos humanos da ONU ressaltou que tais medidas só deveriam ser adotadas como último recurso, em casos de ameaça imediata à vida. Ele solicitou uma investigação independente sobre o aumento no número de mortes sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), citando 30 mortes registradas em 2025 e outras seis neste ano. Türk finalizou condenando a desvalorização de migrantes sob a ótica do governo Trump, onde são retratados como criminosos ou um peso, o que aumenta a exposição à hostilidade xenofóbica.








