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20 de outubro de 2026

Estudo aponta que neutrino esquecido por décadas pode explicar origem da matéria no Universo

Estudo aponta que uma partícula esquecida pode explicar por que há matéria para formar estrelas e planetas no cosmos. A análise foca em um tipo de neutrino e sua ação após o Big Bang. Pelas teorias, matéria e antimatéria deveriam se anular, mas um desequilíbrio permitiu a existência do que vemos hoje. A pesquisa mostra que o modelo teórico altera a expansão cósmica e indica caminhos para testes futuros com ondas gravitacionais.
O neutrino pesado no Universo e a origem da matéria
Reprodução / Internet

O neutrino pesado no Universo pode ajudar a explicar um dos maiores mistérios da física: por que existe matéria suficiente no cosmos para formar estrelas, planetas e a nós mesmos.

A hipótese foi divulgada em um estudo publicado na revista científica Physical Review Letters por pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e do Instituto Indiano de Tecnologia de Kanpur, investigando como o neutrino pesado no Universo atuou após o surgimento do cosmos.

O trabalho concentra sua análise em uma variante de alta massa do neutrino, partícula conhecida por interagir muito pouco com a matéria. Durante décadas, essa versão pesada recebeu pouca atenção dos cientistas exatamente por quase não interagir com outras partículas e aparentar pouca influência nas transformações que moldaram o espaço.

Os neutrinos tradicionais são elementos quase sem massa e sem carga elétrica que cruzam a matéria praticamente sem deixar vestígios, recebendo o apelido de ‘partículas fantasma’. Recentemente, pesquisas focadas em neutrinos renderam o Nobel de Física ao pesquisador Francis Halzen.

O desequilíbrio entre matéria e antimatéria

De acordo com os modelos teóricos vigentes, matéria e antimatéria deveriam ter sido geradas em volumes extremamente similares nos primeiros instantes após o Big Bang. Contudo, o contato mútuo entre matéria e antimatéria resulta em aniquilação mútua com liberação intensa de energia. Caso a produção tivesse sido rigorosamente idêntica, praticamente nenhuma matéria teria restado para compor a estrutura atual do cosmos.

Enquanto a matéria constitui tudo o que forma pessoas, objetos, estrelas e planetas, a antimatéria funciona como uma contraparte com características opostas. Físicos já conseguiram sintetizar antipartículas e antiátomos em ambiente laboratorial, mas estruturas cósmicas dominadas por antimatéria nunca foram localizadas.

“O fato de estarmos aqui prova que ocorreu uma assimetria entre matéria e antimatéria”, afirmou Rishav Roshan, da Universidade de Southampton e um dos autores do estudo.

Como atuou o neutrino pesado no Universo primordial

Segundo a pesquisa, o neutrino pesado no Universo primitivo teria sobrevivido por tempo suficiente para alterar temporariamente a forma como o cosmos se expandia logo após o Big Bang.

À medida que o espaço se expandia e espalhava a energia por uma área progressivamente maior, ocorria o resfriamento cósmico. Sob essas condições, essas partículas específicas podem ter retido e concentrado uma fatia expressiva da energia geral do cosmos antes de sofrerem desintegração total.

Essa interferência temporária no ritmo de expansão alterou a temperatura na qual outras partículas passaram a interagir umas com as outras. Dessa forma, os cientistas apontam que o neutrino pesado no Universo pode ter ajudado a inclinar a balança a favor da matéria ainda nos momentos iniciais da formação cósmica.

A assimetria resultante teria sido extremamente diminuta, quase imperceptível, porém suficiente para preservar a fração de matéria necessária para que, ao longo de bilhões de anos, surgissem galáxias, sistemas estelares e toda a realidade conhecida.

Esta imagem desfocada é da Via Láctea, mas é composta de partículas de neutrinos.
Esta imagem desfocada é da Via Láctea, mas é composta de partículas de neutrinos. — Foto: IceCube/NSF

Caminhos futuros para testar a teoria

Os autores ressaltam que o trabalho apresenta um cálculo teórico sobre como o neutrino pesado no Universo teria afetado a evolução cósmica, mas não encerra a questão de forma definitiva.

“Essa pesquisa nos aproxima de uma explicação para o desequilíbrio entre matéria e antimatéria, mas ainda há incertezas importantes sobre as propriedades desse neutrino e sobre o que aconteceu no Universo primordial”, acrescenta Rishav em entrevista.

Para testar as conclusões em pesquisas futuras, os cientistas sugerem dois métodos centrais: a obtenção de medições significativamente mais precisas sobre as propriedades dos neutrinos e o rastreamento de ondas gravitacionais primordiais. Essas ondas consistem em pequenas ondulações no tecido do espaço-tempo provocadas por fenômenos extremos do período inicial e podem registrar a mecânica de expansão do cosmos jovem.

Além disso, o entendimento detalhado dessa dinâmica pode colaborar na elucidação de outros enigmas astronômicos, como as propriedades da matéria escura e os períodos de expansão do Universo.

Fonte: G1

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