A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) passou a utilizar óculos de inteligência artificial no Laboratório Forense, integrando a tecnologia à sua rotina pericial. Essa ferramenta inovadora amplia a capacidade de registro e análise em tempo real, reforça a cadeia de custódia e contribui significativamente para uma maior agilidade e precisão na elaboração dos laudos periciais.
Agilidade e precisão nos exames com óculos de inteligência artificial
De acordo com a coordenadora Rosângela Guarienti, os óculos possibilitam que os exames sejam realizados de forma contínua, eliminando a necessidade de interrupções para registros manuais. ‘O óculos de inteligência artificial proporciona agilidade durante o exame. Ele oferece vários ângulos e me permite realizar a análise de forma mais rápida, sem precisar parar para registrar cada etapa’, explica Guarienti.
A tecnologia permite a captura simultânea de imagens, vídeos e áudio, registrando automaticamente as decisões técnicas adotadas durante o exame. Rosângela Guarienti ressalta que este recurso é essencial diante da diversidade de vestígios analisados no laboratório. ‘O registro tem o objetivo de documentar e também ilustrar o que foi feito durante o exame, pois cada vestígio é diferente do outro. Em um moletom, por exemplo, é possível identificar manchas visíveis a olho nu e outras perceptíveis apenas com luz forense. Se fosse necessário parar para registrar cada decisão, o exame levaria muito mais tempo’, relata.
Com o uso dos óculos, o perito consegue narrar suas observações enquanto realiza o exame, tornando o procedimento mais ágil e reduzindo, inclusive, as chances de contaminação dos vestígios.
Aplicativo integrado e descrição automática de vestígios
Os óculos de inteligência artificial contam com um aplicativo que transcreve automaticamente o áudio do exame, identifica os momentos mais relevantes e organiza os registros visuais. ‘É uma imagem associada ao meu áudio. Isso facilita muito a continuidade do exame e a elaboração do laudo, porque nem sempre uma foto isolada é suficiente para reconstituir todo o raciocínio pericial’, explica Rosângela.
Mesmo em fase inicial de uso, os ganhos já são expressivos. ‘O que antes levava duas ou três vezes mais tempo, hoje conseguimos fazer no mesmo período. E isso ainda tende a crescer, porque estamos aprendendo a lidar com a tecnologia. O resultado será exponencial’, avalia a coordenadora.
Outro diferencial destacado pela perita é a descrição automática dos vestígios realizada pela inteligência artificial. Ao capturar a imagem, o sistema reconhece características como tipo de material, estado de conservação, presença de sujeira, rasgos e manchas, gerando uma descrição detalhada que pode ser complementada pelo perito.
Fortalecimento da cadeia de custódia e inovação na perícia
A gravação contínua do exame também agrega valor à cadeia de custódia, ao documentar como o vestígio foi encontrado, manuseado e analisado. Para Rosângela, isso trará impactos positivos inclusive na fase judicial. ‘Ter vídeos mostrando como o vestígio estava e como foi coletado torna as audiências muito mais elucidativas. Para quem não é da área técnica, a imagem transmite muito mais do que apenas nossas palavras no laudo’, afirma.
Os óculos de inteligência artificial foram doados por uma empresa, parceira do MTI (Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação), após a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pela Politec no programa Acelera Gov. Segundo a perita, a adoção de tecnologia é fundamental para enfrentar os desafios atuais da perícia oficial. ‘Temos poucos peritos e precisamos acompanhar a velocidade do crime. Para escalar resultados, a tecnologia é essencial’, destaca.
Além do uso imediato, a expectativa é que a inteligência artificial seja treinada com exames repetidos, permitindo que, no futuro, a ferramenta funcione também como apoio a peritos com menor experiência, oferecendo orientações baseadas em casos já analisados pela própria Politec. A incorporação dos óculos de inteligência artificial soma-se às ações de digitalização e automação em andamento na Politec, em parceria com o MTI, que já vêm impactando positivamente o número de laudos produzidos. ‘Como perita, isso me traz esperança. Essa tecnologia amplia nossa capacidade de entrega e nos aproxima do tempo ideal de resposta que a sociedade espera da justiça’, conclui Rosângela Guarienti.








