A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Truncus, visando cumprir 15 mandados de busca e apreensão. A ação investiga a atuação de um grupo criminoso envolvido em ameaças, intimidações e violência, principalmente contra moradores e produtores rurais da região da Terra Indígena Urubu Branco, localizada no nordeste de Mato Grosso.
Detalhes da Operação Truncus e Abrangência
Os mandados judiciais estão sendo cumpridos em 15 endereços, ligados a quatro alvos, distribuídos em Mato Grosso e nos estados do Pará, Goiás e Tocantins. A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Confresa coordena a ação, contando com o apoio de equipes regionais e das Polícias Civis dos demais estados envolvidos na Operação Truncus. Além das intimidações, o grupo é investigado por crimes ambientais, incluindo a exploração ilegal de madeira em áreas rurais e de preservação.
Histórico das Ameaças e Reorganização do Grupo
As investigações indicaram que os crimes já ocorriam há algum tempo, mas as ameaças se intensificaram ao longo de 2025. Essa escalada de violência ocorreu após a morte de um integrante ligado ao grupo. Consequentemente, foram registradas novas ações de intimidação, tentativas de retaliação e uma reorganização do grupo, que expandiu sua atuação para fora de Mato Grosso. Durante as apurações, foi constatado que os alvos utilizavam diversos imóveis urbanos e rurais como pontos de apoio, mudando frequentemente de endereço para tentar dificultar a atuação policial. Diante dessa estratégia, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em caráter itinerante, permitindo que as diligências fossem realizadas conforme a localização atual dos investigados.
Prisões e Declarações da Delegada
Até a manhã desta quarta-feira (4), sete pessoas foram presas em flagrante durante o cumprimento dos mandados judiciais. Duas detenções ocorreram no estado do Pará, duas no município de Vila Rica e três em Confresa. Seis dessas prisões foram por posse ilegal de arma de fogo, e uma, em Confresa, por porte de entorpecentes. A delegada Karen Amaral Mafrakis, responsável pela investigação, afirmou que o principal alvo da investigação possui histórico de ameaças, intimidações e atuação ligada a conflitos fundiários e crimes ambientais. Há indícios de que ele utilize terceiros e familiares como apoio logístico. A delegada frisou que a Operação Truncus busca romper o clima de medo imposto à população da região. ‘O que a gente busca é acabar com esse aspecto intimidatório que vinha se criando. Ninguém pode ser ameaçado ou pressionado por intimidações ou interesse econômico. A atuação da Polícia Civil é justamente para garantir que as pessoas consigam viver e trabalhar sem medo’, afirmou.
Continuidade das Investigações e Simbolismo do Nome
As investigações seguem em andamento, e novas fases da Operação Truncus não estão descartadas, conforme o avanço da apuração e a análise do material apreendido. O nome da operação, Truncus, vem do latim e remete à ideia de tronco cortado, raiz interrompida. Essa escolha simboliza o objetivo da operação: romper a base de sustentação do grupo, cortando suas estruturas de apoio, intimidação e logística, especialmente aquelas usadas para manter o controle territorial e o medo na região.








