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2 de novembro de 2026

Especialistas defendem regulação de plataformas digitais

Pesquisadoras defendem a ampliação da regulação de plataformas digitais no Brasil e a fiscalização de conteúdos com Inteligência Artificial. Fernanda Rodrigues, do IRIS, destacou a necessidade de mecanismos de recomendação sem vieses discriminatórios. Larissa Santiago, do Blogueiras Negras, ressaltou a importância da educação midiática, pois as pessoas não distinguem entre real e IA.
Regulação de plataformas digitais: especialistas defendem
© Rawpick/Freepick

A ampliação da regulação de plataformas digitais no Brasil e a fiscalização do compartilhamento de conteúdos feitos com Inteligência Artificial foram defendidas por especialistas. As pesquisadoras Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), e Larissa Santiago, cofundadora da plataforma de comunicação independente Blogueiras Negras, apresentaram suas perspectivas sobre a necessidade de maior controle e supervisão neste cenário.

Durante o webinário “Tecnologias, IA e Eleições”, evento promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras nesta terça-feira (15), Fernanda Rodrigues destacou o funcionamento dos algoritmos de recomendação. Ela explicou que, segundo sua análise, esses algoritmos permitem que as plataformas digitais determinem quais conteúdos serão apresentados aos usuários. A pesquisadora enfatizou a importância de uma regulação de plataformas digitais mínima. Esta regulação, conforme defendido, deve assegurar que as pessoas possam optar por não receber conteúdos padronizados. Além disso, é crucial que os mecanismos de recomendação não apresentem vieses discriminatórios, garantindo uma experiência mais equitativa aos usuários.

Inteligência Artificial: debate e regulação de plataformas digitais

No que tange à Inteligência Artificial, as pesquisadoras afirmaram que o desenvolvimento dessa tecnologia não tem sido pautado pelas demandas da sociedade. Elas também apontaram que as grandes empresas de tecnologia monopolizam o debate sobre o assunto, limitando a participação de outras vozes e perspectivas. Larissa Santiago mencionou que, em comparação com outros países, o Brasil possui um bom sistema regulatório de IA. Contudo, ela ressaltou a importância de aumentar a fiscalização e, principalmente, a educação midiática da população. Santiago explicou a dificuldade que as pessoas enfrentam em distinguir entre uma pessoa real e uma pessoa criada por IA. Para ela, é fundamental educar a população para que possa navegar de forma crítica no ambiente digital.

Impacto da IA e a necessidade de regulação nas eleições

Ao abordar o processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, Larissa Santiago relembrou a circulação de imagens e notícias distorcidas. O processo de impeachment ocorreu em 2016, um período anterior à popularização das ferramentas atuais de inteligência artificial generativa. Santiago alertou que a tecnologia de IA potencializa a violência política de gênero e raça. Isso ocorre por meio do uso de desinformação e deepfakes, que podem manipular a percepção pública. Ela reiterou a gravidade da situação, afirmando: “A gente viu isso com a presidenta Dilma. As imagens distorcidas, as notícias distorcidas, até chegar ao golpe”. Este cenário, segundo a pesquisadora, reforça a urgência de uma efetiva regulação de plataformas digitais para proteger a integridade dos processos democráticos e a dignidade das pessoas.

Fonte: Agência Brasil

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