O litoral de Santa Catarina foi palco de um evento meteorológico incomum e de rápida manifestação, conhecido como tsunami meteorológico. Este fenômeno, caracterizado por um aumento súbito do nível do mar, acompanhado de ondas violentas e ventos fortes, é raro e está intrinsecamente associado à formação de tempestades. Sua ocorrência recente marcou uma repetição no estado.
A primeira vez que o litoral catarinense registrou tal evento foi em novembro de 2023, especificamente na Praia do Cardoso, localizada em Laguna. Mais recentemente, na segunda-feira (21), o fenômeno se manifestou novamente, afetando não apenas a Praia do Cardoso, mas também outras localidades em Laguna, além das cidades vizinhas de Jaguaruna e Imbituba.
Também denominado meteotsunami, este evento se distingue por impulsionar o avanço do mar de maneira significativamente mais rápida e com maior violência do que as ressacas habituais. Contudo, é importante ressaltar que, apesar da denominação, o meteotsunami possui uma intensidade inferior aos tsunamis de origem sísmica, que são tipicamente desencadeados por terremotos.
Impactos e Resposta da Defesa Civil
Apesar de sua menor intensidade em comparação com tsunamis sísmicos, a força da água do tsunami meteorológico causou impactos materiais notáveis. Redes de pesca e diversos equipamentos foram arrastados, e algumas embarcações chegaram a ser deslocadas. Conforme informações da Defesa Civil de Laguna, todas as embarcações foram posteriormente recuperadas, e não foram registrados danos estruturais significativos nos ranchos de pesca.
O incidente mais expressivo em termos de danos materiais ocorreu em uma igreja local, onde a força da água resultou na derrubada de parte do muro. É crucial destacar que, segundo o órgão, não houve qualquer registro de feridos, limitando-se os prejuízos exclusivamente a danos materiais.
A Defesa Civil estadual classificou o fenômeno como raro e de difícil previsibilidade, sublinhando que sua ocorrência resulta de uma complexa interação de múltiplos fatores. A confirmação do evento foi possível por meio de uma combinação de tecnologias, incluindo radares meteorológicos, imagens de satélite e os registros precisos dos marégrafos.
Análise Meteorológica do Evento
A análise detalhada da Defesa Civil revelou as condições meteorológicas que propiciaram o tsunami. “Foi identificada uma linha de instabilidade no Litoral Sul, caracterizada por uma faixa de nuvens alinhada à frente da chuva”, explicou o órgão. Essa configuração resultou em rajadas de vento sul que variaram entre 60 e 90 km/h.
A atuação desses ventos, em conjunto com alterações significativas na pressão atmosférica, coincidiu com uma rápida elevação do nível do mar. Este pico foi registrado por volta das 6h da manhã e foi documentado tanto pelos marégrafos instalados em Imbituba e Laguna quanto por câmeras de segurança posicionadas ao longo da faixa litorânea. Apesar do cenário de mau tempo e da ocorrência do fenômeno, as três cidades diretamente afetadas pelo tsunami meteorológico – Laguna, Jaguaruna e Imbituba – não necessitaram de apoio externo imediato.
Cenário Climático em Santa Catarina
Além do tsunami meteorológico, Santa Catarina tem enfrentado um período de instabilidade climática mais ampla. Atualmente, 11 cidades do estado decretaram Situação de Emergência em decorrência das fortes chuvas. São elas: Timbé do Sul, Criciúma, Turvo, São Joaquim, Campo Erê, Araranguá, Forquilhinha, Ermo, Meleiro, Bom Jardim da Serra e Nova Veneza.
O município de Porto União, por sua vez, está em processo de emissão de decreto de emergência. A cidade registra um cenário preocupante, com 203 pessoas desabrigadas, 241 desalojadas e um total de 135 famílias afetadas por chuvas intensas e ventos que superaram os 60 km/h. Para atender à população impactada, cinco abrigos foram prontamente abertos.
As previsões indicam uma tendência de melhoria nas condições climáticas gerais do estado. Embora haja expectativa de temperaturas baixas, próximas de zero, até a sexta-feira, não são esperadas instabilidades meteorológicas significativas. As condições marítimas, que se apresentavam agitadas nesta quarta-feira, devem começar a melhorar a partir de quinta-feira (24) no litoral norte. No entanto, na área central e no litoral sul, as condições ainda se mantêm em risco moderado, com ondas que podem atingir até 2,5 metros.








