A passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz foi permitida pelo Irã como um ‘presente’ para demonstrar sua seriedade nas negociações para o fim da guerra, conforme afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira (26). Referindo-se a comentários anteriores sobre um ‘presente’ de Teerã, Trump detalhou que o Irã autorizou a travessia de oito ‘grandes navios petroleiros’ pelo estreito no início da semana, seguida por outros dois posteriormente, totalizando dez embarcações.
Trump avalia controle de petróleo e situação da guerra
Também nesta quinta-feira, o presidente Trump mencionou que tomar o controle do petróleo do Irã pode ser uma opção em meio à guerra entre os dois países. Questionado por um repórter durante uma reunião de gabinete, Trump utilizou o exemplo da Venezuela, afirmando que o país sul-americano melhorou após a deposição de Nicolás Maduro e a suposta assunção do petróleo pelos EUA. ‘É uma opção. Eu não falo muito sobre isso, mas é uma opção. Fizemos isso com a Venezuela e deu certo, estamos trabalhando muito bem’, declarou Trump, sem fornecer detalhes específicos para o caso iraniano. Ele acrescentou que Washington e Caracas fizeram muito dinheiro com as vendas de petróleo venezuelano pós-derrubada de Maduro, e que a relação com a Venezuela está ‘incrível’ desde então. O Irã, contudo, não tem recebido de forma leve as ameaças a seu estoque e refinarias de petróleo. Líderes do regime têm alertado que qualquer ataque contra a ilha de Kharg, responsável por 90% da produção e exportação iranianas, seria respondido com ataques retaliatórios contra infraestrutura vital de países do Oriente Médio.
Negociações sobre a passagem de petroleiros no Estreito e cessar-fogo
Trump também expressou nesta quinta-feira sua crença de que a guerra contra o Irã está 99% resolvida, apesar de o Estreito de Ormuz ainda estar fechado por forças iranianas. Ele indicou não ter mais certeza se deseja fazer um acordo de cessar-fogo com o Irã, afirmando que ‘não se importa com isso’. ‘Temos conversas bem significantes e com as pessoas certas. (…) Mas estou o oposto de desesperado, eu não me importo. Bombardeamos eles diariamente e, inclusive, temos mais alvos que a gente quer atingir antes de terminarmos’, afirmou Trump durante a reunião de gabinete. O presidente dos EUA reiterou que está negociando com o Irã e apontou que o regime se contradisse em falas públicas recentes sobre a existência de tratativas de cessar-fogo. Trump declarou que ‘o Irã está implorando para fazer um acordo’, mas que ele ‘nem tenho certeza de que ainda estou disposto a fazer um acordo’ com o Irã. O líder norte-americano desmentiu relatos da imprensa dos EUA de que estaria desesperado por um cessar-fogo, alegando que o Exército norte-americano fez 99% do trabalho, e a questão da passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz seria o 1% restante. ‘Nós dizimamos eles militarmente, não têm Marinha, Exército, um míssil ou outro. O problema no Estreito de Ormuz é: fizemos 99%, mas se o 1% permanecer ele pode ser no formato de um míssil disparado contra um navio de US$ 1 bilhão, e isso não pode acontecer’, disse Trump.
Propostas de paz e contrapropostas
O regime iraniano informou nesta quinta-feira que transmitiu aos EUA, via mediador Paquistão, uma resposta oficial sobre a proposta de 15 pontos elaborada pelo governo Trump. A resposta ocorreu na noite de quarta-feira, horas após a mídia estatal ter dito que Teerã rejeitou a proposta e apresentou sua própria contraproposta com cinco pontos. Ao mesmo tempo, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, disse que ‘nós rezamos por um acordo’, durante pronunciamento à imprensa ao lado de Trump. Na quarta-feira, o regime iraniano qualificou o plano de Trump como ‘excessivo e desconectado da realidade’ e afirmou que o presidente dos EUA não ditaria o fim do conflito. ‘O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas’, disse o governo iraniano, segundo a Press TV. A contraproposta iraniana, segundo a Press TV, estabeleceu cinco condições para o fim da guerra: a interrupção total da ‘agressão e dos assassinatos’ por parte do ‘inimigo’; o estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja retomada; o ressarcimento e reparações por danos causados durante a guerra; o fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região; e o ‘exercício da soberania’ do Irã sobre o Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas acrescentaram que essas exigências se somam às demandas já apresentadas por Teerã durante a segunda rodada de negociações em Genebra. A proposta dos EUA, com 15 pontos, envolve os programas nuclear e de mísseis balísticos iranianos. Entre os pontos do plano estão o comprometimento de nunca buscar desenvolvimento de armas nucleares; a limitação no alcance e no número de mísseis iranianos; a desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow; o fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah; e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz. As autoridades paquistanesas descreveram que o plano norte-americano abrange alívio de sanções, cooperação nuclear civil, redução do programa nuclear do Irã, limites para mísseis e acesso para navegação pela passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz.








