A ex-senadora Margareth Buzetti (PP) manifestou sua indignação com recentes episódios de violência política de gênero. Em entrevista, a parlamentar criticou a postura de bolsonaristas, alertando para o impacto eleitoral dessas condutas e cobrando um posicionamento público imediato do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). A Buzetti cobra reação de Flávio Bolsonaro diante do machismo do grupo.
Críticas a discursos machistas
Buzetti detalhou as ‘duas violências em discursos’ ocorridas na terça-feira (30). Ela citou Oswaldo Eustáquio, que ‘falou da Damares coisas impublicáveis’, descrevendo-o como ‘extremamente grosseiro e machista, horroroso’. A ex-senadora também mencionou Paulo Figueiredo, que afirmou que ‘as mulheres não sabem votar’ e que ‘as mulheres vão ‘arrancar os pentelhos da calcinha’ quando as feministas ouvirem o que ele está falando’.
Questionada sobre se tal conduta enfraquece o discurso e a coesão da direita, inclusive no plano estadual, Buzetti afirmou que, embora não se choque com muitas coisas na política, esses episódios a impactaram. ‘Olha, não tem como dizer que não. Claro que enfraquece, lógico que enfraquece. Eu lamento muito. Eu acho que o Flávio vai ter que se esforçar muito, vai ter que trabalhar muito para combater isso. Porque é um fato, não adianta’, declarou. Para a ex-senadora, a Buzetti cobra reação de Flávio Bolsonaro para combater o enfraquecimento da direita.
Desabafo de Michelle e a posição de Buzetti
A crise também alcança os bastidores e o núcleo da família Bolsonaro. Ao comentar os desabafos públicos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), a empresária revelou que o descontentamento já havia sido externado de forma reservada. ‘Olha, tudo o que ela falou no vídeo dela, ela conversou com a gente no jantar que ela teve uma semana antes. Tanto que a gente amanheceu com o vídeo e olhou e disse: ‘Nossa, tudo o que ela falou para nós, ela publicou’. Então, assim, eu não gosto de fato de a gente lavar roupa suja pela imprensa. Eu acho que a gente tem que se acertar fora’, alegou Buzetti.
A senadora saiu em defesa da ex-primeira-dama, criticando seus enteados, especificamente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Ela o descreveu como ‘moleque ao quadrado’ e ‘um idiota que fica falando o que quer’. Buzetti enfatizou: ‘Acho que pode dizer o que quer, o que pensa. Não é assim. Eu penso muita coisa que eu não falo’. Nesse contexto, a Buzetti cobra reação de Flávio Bolsonaro em relação aos seus aliados.
A importância da reação de Flávio Bolsonaro
Apesar de poupar Flávio Bolsonaro do rótulo de radical, apontando que ele se diferencia positivamente dos irmãos, Buzetti alertou que o senador não pode se esquivar do debate sobre o machismo de seus aliados. ‘Não tem dúvida de que o discurso deles prejudica ele. Eu sempre falei, o melhor deles é o Flávio, o melhor deles é o Flávio, agora os outros… O discurso dos outros não dá, como mulher eu não aceito’, declarou. A Buzetti cobra reação de Flávio para a sobrevivência política do parlamentar diante do eleitorado feminino, que dependerá de um rompimento público com as ofensas proferidas contra as mulheres de seu próprio grupo político.
‘Ele tem que se posicionar. Eu não vi se posicionando em respeito ao ataque da Damaris ontem, ao que o Paulo Figueiredo falou. O Flávio tem que se posicionar com isso, contra isso, porque senão quem cala consente. Ele está sendo omisso e está concordando, então ele tem que vir a público e falar sobre isso’, concluiu Buzetti. A Buzetti cobra reação de Flávio de forma explícita e pública.








