O senador Jayme Campos (União) minimizou as denúncias de seu irmão, o deputado estadual Júlio Campos (União), sobre supostas ofertas de vantagens a participantes da convenção do partido para barrar sua candidatura, adotando cautela em relação à alegada compra de votos no União. Jayme, pré-candidato do grupo ao Palácio Paiaguás, desconsiderou as acusações de ‘propostas indecorosas’. Sua postura contraria Júlio, que havia prometido acionar o Ministério Público Eleitoral (MPE) para conter uma suposta movimentação de ‘mala branca’ no interior do estado.
Tensão na Legenda e Divisão Interna
O contraste nos discursos evidencia a tensão interna do partido União nas vésperas da convenção, agendada para o dia 30 de julho. De um lado, os irmãos Campos defendem uma candidatura própria do União Brasil ao governo, argumentando que a sigla possui força eleitoral suficiente para liderar o pleito. Do outro, a ala liderada pelo presidente estadual do partido, o ex-governador Mauro Mendes (União), trabalha intensamente para consolidar o apoio à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A questão da compra de votos no União é um ponto de discórdia que acentua essa divisão.
Denúncias de Compra de Votos no União e a Posição de Jayme
Nesse cenário de divisão entre os 48 convencionais aptos a votar, o senador Jayme Campos optou por não endossar o ataque frontal de Júlio, atribuindo ao irmão a responsabilidade pelos detalhes das denúncias. ‘Eu confesso que eu não sei. Talvez a informação mais precisa é o próprio Júlio é quem possa dar’, pontuou o senador.
Mesmo admitindo ter ouvido sobre o assunto, Jayme Campos cobrou provas materiais e defendeu a idoneidade do colegiado, recusando-se a recuar de sua pré-candidatura. O senador expressou ceticismo sobre a compra de votos no União, afirmando: ‘Não acredito, né? Depende de notícias que eu vou fazer, de uma narrativa de forma concreta, até porque é só informação que eu tenho, eu não vi. Eu sou daquela velha história, né? Vem pra crer, né? É preto ou não branco. Nossa, esse negócio de vir falar, nada disso.’
Ele mencionou ter ouvido amigos relatarem ‘propostas indecorosas’, como oferta de dinheiro, emprego e convênios, mas considerou isso irrelevante. ‘Para mim, isso não é relevante. Eu mantenho a consciência da sociedade, sobretudo dos nossos amigos e amigas que fazem parte do partido’, declarou Jayme Campos.
Foco na Disputa Interna e Articulações Políticas
Rejeitando planos alternativos ou recuos estratégicos diante de uma possível derrota na votação de 30 de julho, Jayme Campos foi enfático ao declarar que não trabalha ‘com pressupostos’, reafirmando seu foco total na disputa interna. Apesar das alegações de compra de votos no União, ele mantém sua confiança. ‘Eu aposto que eu vou ser candidato e aposto que eu vou ganhar a convenção’, destacou. Ele reiterou sua determinação: ‘Eu já disse que volto a repetir. O meu carro quebrou a ré, só [anda] pra frente’.
Para intensificar as articulações da oposição, Jayme Campos confirmou conversas adiantadas com o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), sobre o calendário de outras siglas aliadas. ‘Amanhã eu vou conversar com ele, se Deus quiser. Está bem encaminhado. Muitas surpresas vocês vão ter aí’, concluiu o senador.








