A servidora que extorquiu colega na Secretaria de Estado de Saúde (SES), Fernanda Leite da Matta, uma das principais alvos da Operação Laço Oculto deflagrada nesta terça-feira (22), movimentou cerca de R$ 7 milhões em três anos. A informação foi divulgada pelo delegado Hugo Abdon Lima, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf).
Fernanda e outro servidor da SES, Deiwson Ortelhado, são investigados por extorquir mais de R$ 1,1 milhão de uma colega de trabalho. Eles teriam se aproveitado da vulnerabilidade psicológica da vítima para cometer o crime.
É possível que essas pessoas estejam metidas em outros esquemas para angariar valores, como jogos de azar e agiotagem.
O delegado Hugo Abdon Lima destacou o alto volume de valores transacionados pela servidora que extorquiu. “Um alvo [Fernanda Matta], ao longo de três anos, transacionou R$ 7 milhões, e esse dinheiro foi parar em qual lugar? Este é um trabalho minucioso que a Polícia está fazendo, a gente está seguindo o caminho do dinheiro”, afirmou. A Polícia Civil também apura se os acusados atuavam em outros esquemas criminosos, diante da elevada movimentação financeira identificada durante as investigações.
Detalhes do Esquema da Servidora que Extorquiu
Segundo Hugo Abdon, o esquema começou em 2022. Deiwson teria pedido que a colega emprestasse sua conta bancária para quitar uma suposta dívida com um agiota. A partir desse episódio, Fernanda passou a criar cenários fictícios de ameaça, afirmando que criminosos colocavam em risco a vítima e seus familiares. Com isso, exigia pagamentos cada vez maiores, sob a justificativa de quitar a dívida e os supostos juros cobrados pelos agiotas.
Outros investigados teriam participado do esquema por meio da movimentação e ocultação dos recursos obtidos com a extorsão, entre eles um policial militar, que também foi alvo da operação. O delegado afirmou que “o grupo é perene. Ele é um grupo que se sustenta ao longo do tempo. O fluxo de dinheiro era sempre o mesmo. Eles seguiam a lista de pessoas e a rota final dele era este policial militar que foi alvo nosso da operação hoje”.
Incompatibilidade de Rendimentos e a Servidora que Extorquiu
Outro ponto destacado pelo delegado foi a incompatibilidade entre os valores movimentados pelos investigados, incluindo a servidora que extorquiu, e os rendimentos que recebem como servidores públicos. “Como é que servidores públicos que ganham um salário módico, que não são servidores de alto nível, conseguem movimentar valores tão substanciais em intervalos de tempo tão pequenos, transacionando com pessoas que não têm negócio jurídico nenhum? A gente percebe que existe um esquema ali”, questionou.
De acordo com o delegado, a operação foi deflagrada nesta fase para ampliar as chances de recuperação do patrimônio da vítima, enquanto o rastreamento do destino dos valores continua. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos seis veículos — dois carros e quatro motocicletas —, além de celulares e documentos que poderão auxiliar nas investigações patrimoniais. Também foram cumpridas ordens de bloqueio de contas bancárias dos investigados. Os alvos optaram por permanecer em silêncio durante o cumprimento dos mandados e não apresentaram explicações para a origem dos recursos. “Entendemos que não tem como justificar. É um grupo que se vale desse tipo de esquema para ganhar a vida”, finalizou o delegado.
A Operação Laço Oculto
A Polícia Civil cumpriu nesta terça-feira cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um de busca e apreensão de veículo, cinco de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros, que podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões. As medidas foram executadas em Cuiabá e Várzea Grande contra os servidores da SES, incluindo a servidora que extorquiu, um policial militar e pessoas apontadas como integrantes do fluxo financeiro investigado. A Secretaria de Estado de Saúde colaborou com a operação, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar acompanhou o cumprimento das medidas envolvendo o policial.
Segundo a Polícia Civil, a Operação Laço Oculto busca recuperar os valores extorquidos da vítima, além de apreender documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a participação de cada investigado e subsidiar a apuração de possíveis crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro.








