A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com a possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, notadamente por parte dos Estados Unidos. As entidades alertam que tal ingerência pode afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.
Alerta da Comunidade Científica sobre a Soberania
O temor expressado pelas entidades é de haver uma interferência que comprometa ‘a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores’. O texto divulgado enfatiza a necessidade de independência e autonomia do brasileiro para fazer suas escolhas políticas.
‘A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais’, disseram as entidades.
As instituições científicas também destacam a importância de identificar e apurar eventuais ações de interferência baseadas em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito, especialmente considerando as novas formas de manipulação em um mundo digital. Corroborando essas preocupações, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já havia elaborado um relatório em agosto, apontando risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano e alertando para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil.
Chamado à Mobilização e Defesa Democrática
Diante do cenário, a ABC e a SBPC pediram a mobilização das instituições da República, da comunidade científica e acadêmica, e da sociedade civil, em prol de uma eleição livre de ingerência internacional. O apelo visa assegurar a integridade do processo democrático.
‘Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira’, reforçaram as entidades.
A defesa da democracia, segundo as entidades, é intrínseca à comunidade científica, dependendo do acesso ao conhecimento, da liberdade de pensamento e da integridade da informação. Soberania política, científica e digital são vistas como dimensões interdependentes da capacidade de uma nação decidir seu futuro. As entidades também apoiaram o Instituto Vladimir Herzog, que levou às Nações Unidas uma carta chamando atenção para os riscos de interferência estadunidense nas eleições brasileiras e pedindo o rápido reconhecimento internacional do resultado.
Posicionamento Internacional e o Pleito de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou o assunto em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro. Ele defendeu a soberania dos países e citou tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais, sobretudo na América Latina e no Caribe.
‘Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos’, disse o presidente, ao citar contextos recentes registrados na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
ABC e SBPC conclamam a sociedade brasileira a permanecer vigilante na defesa da integridade do processo democrático. Elas reafirmam princípios como a soberania nacional, a autodeterminação, eleições livres e íntegras, a não intervenção externa, o respeito à Constituição e às instituições democráticas, a integridade do ambiente informacional e o reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral. Defender a democracia brasileira é defender o direito do Brasil de decidir, livremente e sem interferências externas, o seu futuro.
As eleições estão marcadas para o dia 4 de outubro, quando os eleitores votarão em candidatos para os cargos de deputado estadual/distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.








