O projeto da Haven-1 representa a preparação para o lançamento da primeira estação espacial comercial da história, com previsão de funcionamento para 2027. Pela primeira vez, astronautas devem habitar, trabalhar e desenvolver investigações científicas em uma estrutura orbital que não pertence nem é administrada por governos.
Desenvolvida pela empresa Vast, a iniciativa propõe um modelo inédito na órbita baixa da Terra. Diferente de plataformas públicas anteriores, o projeto da Haven-1 funcionará como um espaço comercial alugável para que laboratórios e empresas realizem experimentos científicos, contratando estadias para pesquisas em microgravidade.
O projeto da Haven-1 e a estrutura da estação privada
O ambiente interno rompe com os padrões visuais e funcionais das estações governamentais. Enquanto a Estação Espacial Internacional (ISS) acumula estruturas tubulares metálicas, fiações e equipamentos visíveis devido a demandas técnicas de montagem, o novo módulo aposta em paredes lisas, linhas limpas e organização voltada ao bem-estar da tripulação.

A entrada no módulo ocorre pela porta de acoplamento da cápsula Dragon, conectada ao lado da central de comunicação com as equipes terrestres. As acomodações dos astronautas estão posicionadas nas laterais da nave e contam com camas infláveis. Esse sistema permite fixar o corpo durante o repouso para evitar deslocamentos involuntários provocados pela falta de gravidade, além de barras de apoio distribuídas nas paredes para auxiliar a locomoção.

O transporte do módulo ao espaço será feito pelo foguete Falcon 9, desenvolvido pela SpaceX. Aproximadamente um mês após a inserção em órbita, a tripulação chegará por meio da cápsula Dragon acoplada. Com essa operação, o projeto da Haven-1 marca o início da transição operacional da ISS para modelos totalmente geridos pela iniciativa privada em módulos construídos por etapas.
Pesquisa brasileira com minicérebros em órbita
A bordo da instalação, o projeto da Haven-1 abrigará o estudo de minicérebros humanos conduzido pelo neurocientista brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Muotri, que comanda o programa de células-tronco da universidade e colabora em pesquisas com a Nasa, apresentou um protótipo das instalações em San Diego.
“Esse daqui é o futuro laboratório espacial para crescimento dos minicérebros. A gente vai usar essa estrutura para acomodar os nossos minicérebros, envelhecê-los e trazê-los de volta para a Terra para fazer uma série de análises”, explica.
O pesquisador esteve cotado para uma missão na Estação Espacial Internacional em 2023, mas teve a viagem suspensa devido a cortes orçamentários na agência espacial americana. A nova missão na Haven-1 ainda está em fase de planejamento, sem data definida, e o embarque do cientista depende da finalização dos equipamentos laboratoriais que serão integrados ao módulo.
- Caso a viagem se confirme, Muotri será considerado o primeiro cientista brasileiro no espaço, uma vez que Marcos Pontes possui formação como engenheiro e histórico militar.

Ciência espacial e investigação contra o Alzheimer
Os minicérebros são organoides cultivados em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são células adultas reprogramadas para simular o desenvolvimento do cérebro de um bebê em formação. As estruturas possibilitam avaliar distúrbios neurológicos, reações medicamentosas e o envelhecimento do sistema nervoso.
Em órbita, as amostras passarão por um processo acelerado de envelhecimento decorrente do ambiente espacial. Por essa razão, o projeto da Haven-1 permitirá acompanhar a evolução desses tecidos de forma supervisionada diretamente no espaço, diferentemente de testes anteriores nos quais organoides foram enviados sem acompanhamento presencial de pesquisadores.
“Estou confiante de que a Haven-1 será um sucesso”, afirmou.
O foco inicial das análises inclui doenças neurodegenerativas, com ênfase no Alzheimer. Juntamente com os experimentos celulares, serão transportadas moléculas da biodiversidade amazônica indicadas por povos originários, com o objetivo de verificar se essas substâncias apresentam propriedades protetoras para neurônios ou potencial terapêutico contra danos celulares.








