MENU
19 de setembro de 2026

Atos pró-regime no Irã criticam distúrbios e interferência estrangeira

Milhares de pessoas no Irã foram às ruas em atos pró-regime para criticar os distúrbios e a suposta interferência estrangeira no país.
Atos pró-regime Irã: manifestações condenam distúrbios e interferência
© Fars News Agency/Divulgação

Milhares de pessoas no Irã participaram de Atos pró-regime Irã neste domingo (11) e segunda-feira (12). As manifestações foram realizadas para criticar os distúrbios que vêm sacudindo o país nos últimos dias e, segundo levantamentos não oficiais, teriam causado a morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança.

Contexto dos Atos pró-regime Irã e protestos antigovernamentais

Desde dezembro do ano passado, o Irã registra uma onda de protestos antigovernamentais. Em resposta a essa situação, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sugeriu uma invasão ao país persa para ‘ajudar’ os manifestantes alvos da repressão estatal. Por outro lado, o governo iraniano divulga vídeos de manifestantes armados nas ruas do país, acusando-os de vandalismo e de agir a mando de ‘estrangeiros’ para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.

O jornalista, cientista político e professor de relações internacionais, Bruno Lima Rocha, avalia que o que era um protesto legítimo contra o aumento do custo de vida no país se tornou uma ameaça externa de bombardeio pelos EUA. Rocha afirmou que ‘Diante de uma questão de soberania, a população foi convocada pelo pelas forças que compõem a República, e tem essa multidão na rua’. Ele, que também é editor da Hispan TV Brasil, mídia iraniana sediada no Brasil, avalia que a violência dos distúrbios nos últimos dias e a declaração de Trump de que bombardearia o país isolaram os protestos antigovernamentais. A mobilização dos Atos pró-regime Irã reflete uma resposta a essa questão de soberania, reunindo uma multidão nas ruas. Segundo Bruno, ‘Parece que tem uma política de incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, fazer o país ser atacado de novo. Isso ninguém vai admitir. Isso isola o protesto e fica como se fosse uma traição nacional e vai se criando um grande consenso contra os distúrbios antigoverno’. Nesse domingo (11), Trump informou que os militares dos EUA estão avaliando opções de ação em relação ao Irã e que uma reunião com lideranças de Teerã deve ser marcada. ‘Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito sólidas. Tomaremos uma decisão. Talvez tenhamos que agir antes da reunião [com Teerã]’, disse Trump a repórteres.

Violência e as acusações nos Atos pró-regime Irã

Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que declararam apoio aos protestos para mostrar vídeos de manifestantes armados encapuzados abrindo fogo durante os atos dos últimos dias. Os vídeos mostram ainda cenas de vandalismo contra carros, prédios e bloqueio de ruas. O governo de Teerã enfatizou que as ações ultrapassam os limites do protesto pacífico e são consideradas sabotagem organizada. Essa postura é reforçada pelos Atos pró-regime Irã, que condenam a violência e as ações de vandalismo. Ontem, em entrevista a uma TV estatal, o presidente do Irã Masoud Pezeshkian afirmou que o protesto pacífico é tolerado no país, mas que os distúrbios dos últimos dias são provocados por ‘terroristas do estrangeiro’. O chefe de Estado do Irã detalhou: ‘Alguns policiais foram mortos a tiros, alguns foram decapitados, alguns foram queimados vivos. Os terroristas destruíram lojas e o mercado’. Autoridades iranianas acusam os serviços secretos dos EUA (CIA) e de Israel (Mossad) de incitar e promover os distúrbios para provocar uma nova guerra após não conseguirem derrubar o regime da República Islâmica na guerra dos 12 dias no ano passado, quando Washington e Tel Aviv bombardearam o país persa. As autoridades iranianas interpretam os distúrbios como uma tentativa de derrubar o regime, contrastando com os objetivos dos Atos pró-regime Irã de reafirmar a ordem.

Economia e geopolítica por trás dos protestos

O especialista Bruno Lima Rocha destacou que os protestos que começaram no final de dezembro foram desencadeados pelo fim dos subsídios para importação de alimentos, o que elevou a inflação e afetou o custo de vida da população. Ele explicou: ‘Era protesto econômico, estava dentro das regras do jogo da república. A repressão foi pequena no começo, quase nula. Ficou restrita à reclamação de comerciantes e dentro da disputa de poder entre importadores e a política econômica do governo’. Na avaliação de Rocha, os protestos descambaram para violência devido, entre outros fatores, à ação de grupos separatistas e à frustração de alguns grupos de jovens, somado a incentivos externos que desejam o fim da República Islâmica fundada em 1979. Ele finalizou: ‘Depois da Revolução de 1979, o Irã assumiu toda a cadeia produtiva do petróleo e conseguiu fazer do petróleo um instrumento do desenvolvimento nacional. A desculpa do momento é ser solidário com os protestos. Ontem era a energia atômica para fins pacíficos. Enquanto o Irã não se subordinar à hegemonia do Ocidente, o país vai ser visto como o alvo permanente do imperialismo’.

Fonte: Agência Brasil

Cáceres No Ar

Compartilhe a postagem:

Postagens relacionadas

Candidatos do Novo pedem liberação de coligação com PL de Wellington Fagundes

Um grupo de candidatos a deputado estadual e federal do partido Novo solicitou a liberação de fidelidade à coligação do candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL). Os postulantes alegam não ter recebido o suporte financeiro e a estrutura para material impresso e tempo de TV prometidos pela direção do PL. A insatisfação veio à tona após uma reunião na última segunda-feira (14) com o presidente estadual da sigla, Rafael Iacovacci. Apesar do descontentamento, o Partido Novo descartou romper a aliança com o PL em Mato Grosso, mantendo o acordo que resultou na indicação de Reinaldo Morais como vice. O presidente regional do PL, Ananias Filho, reconheceu o atraso, mas garantiu o cumprimento dos compromissos.

Leia mais...
Ação da Polícia Militar resulta em prisão por tráfico em Mirassol D’Oeste

Polícia Militar prende casal com 3 kg de maconha em Mirassol D’Oeste

Ação da Polícia Militar em Mirassol D’Oeste resultou na prisão de dois suspeitos, de 20 e 27 anos, por tráfico de drogas. A ocorrência foi na madrugada desta quinta-feira (17), após denúncia anônima. Uma mulher foi abordada ao desembarcar de ônibus com uma mochila contendo cerca de 3 kg de maconha. Um homem que a aguardava em motocicleta também foi detido. Ambos foram encaminhados à autoridade competente.

Leia mais...
A produção agrícola brasileira supera R$ 927 bilhões em 2025

A produção agrícola brasileira superou R$ 927 bilhões em 2025

A produção agrícola brasileira alcançou 345,4 milhões de toneladas em 2025, superando em 18,2% o volume de 2024, que foi afetado pelo El Niño. O valor da produção atingiu R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% em relação ao ano anterior, marcando o maior montante desde 1994. Os dados, divulgados pelo IBGE, também indicam que o Brasil rompeu a marca de 100 milhões de hectares de área colhida e que a soja representou 34% do valor total.

Leia mais...
Polícia Civil São José cumpre mandados por crimes sexuais

Polícia Civil cumpre mandados de prisão contra investigados por crimes sexuais em São José dos Quatro Marcos

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta terça-feira (15), dois mandados de prisão preventiva em São José dos Quatro Marcos. Os investigados, homens de 48 e 58 anos, são suspeitos de crimes sexuais. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Única da Comarca local e cumpridas pela Delegacia do município. As prisões ocorreram em uma propriedade rural e em uma residência urbana, sem intercorrências.

Leia mais...
Regulação de plataformas digitais: especialistas defendem

Especialistas defendem regulação de plataformas digitais

Pesquisadoras defendem a ampliação da regulação de plataformas digitais no Brasil e a fiscalização de conteúdos com Inteligência Artificial. Fernanda Rodrigues, do IRIS, destacou a necessidade de mecanismos de recomendação sem vieses discriminatórios. Larissa Santiago, do Blogueiras Negras, ressaltou a importância da educação midiática, pois as pessoas não distinguem entre real e IA.

Leia mais...
plugins premium WordPress